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Hélio Rocha

Hélio Rocha é escritor. Sucedeu o acadêmico Benedicto Silva.


Data de nascimento: 14/08/1940

Data de posse: 28/06/2001

Cadeira Nº 07

Posição: 4° ocupante

Indisponível.

Indisponível.

Goiânia, 28 de junho de 2001

Em Raízes do Brasil, Sérgio Buarque de Holanda menciona preciosa observação do etnólogo e historiador germânico Georg Friederici a respeito do caráter do descobrimento do grande Brasil interior. Ao contrário do que se deu em outras partes das Américas, os descobridores, exploradores e conquistadores do interior brasileiro não foram europeus – no caso, os portiugueses. Foram brasileiros mesmo , em boa parte de puro sangue branco, mas também mestiços e mamelucos.
Assim ocorreu com o sertão goiano, por obra e audácia dos bandeirantes. Eles chegaram um dia aos sopés da Serra dos Pireneus, no Espigão Mestre, onde as águas se emendam e se separam e se dão ao luxo de alguns caprichos. Por exemplo : os primeiros filetes da nascente do Rio das Almas brotam na vertente Sul dos Pireneus, enquanto os do Corumbá porejam do lado Norte. Depois dos primeiros impulsos contornando a serra, esses irmãos telúricos optam por rumos opostos : o Rio das Almas corre para o estuário amazônico, o Corumbá vai ser tributário do Paranaíba, viajando para o destino final da Bacia do Prata.
No passado, neste início da sua viagem, o Corumbá escondia veios de ouro que a cobiça e o faro dos bandeirantes descobriram. Eles provocaram em 1729 o surgimento do povoado que ganharia a designação de Arraial de Nossa Senhora da Penha de França de Corumbá. Posteriormente Vila, em 1875 Corumbá ganharia a definitiva autonomia política, mas a condição de cidade seria conquistada em 1902, graças a um trabalho do então deputado Antônio Félix Fleury Curado, como nos revela o historiador Ramon Curado
Ali nasci, no mês de agosto no calendário de um mundo em guerra, na casa de quintal pacificamente sombreado pelas limeiras e pelas laranjeiras, pelas jabuticabeiras e goiabeiras, espaço para o qual depois tantas vezes desceria pela escada de pedra recendendo aroma de hortelã.
Tolerem-me, senhoras e senhores se for o caso, as armadilhas da saudade e até da inevitável pieguice nesta pequena incursão à infância, na sua maior parte vivida nessa terra onde nasceram ou viveram cinco acadêmicos do passado – Erico Curado, Cônego José Trindade da Fonseca e Silva, Dario Délio Cardoso, Bernardo Élis e meu pai, Benedito Odilon Rocha.
Como me livrar da saudade dos quintais corumbaenses , e como deixar de aborrecê-los , meus senhores, minhas senhoras e, meus amigos, com a manifestação dessa nostalgia ?
Haroldo de Britto Guimarães, saudoso amigo, com quem muito me identificava no gosto literário e na avaliação estética, certo dia comentou comigo que, num conto de Bernardo Élis, a descrição de um quintal de Corumbá, em uma fresca e luminosa manhã, não parecia página literária – parecia uma tela de Renoir, E me perguntou Haroldo se eu me lembrava de quintais assim e manhãs como aquelas sugerindo os traços impressionistas de uma tela em que as paisagens claras e luminosas dissolvem-se numa luz mágica e cambiante .
Como esquecer manhãs assim, manhãs de mel, como as definiu ainda o próprio Bernardo, manhãs nascendo para saudar a pequena cidade acolhida em seu vale, despertando em suas ladeiras todas, molhada pelos seus regatos límpidos correndo para o rio Corumbá de purificadas águas?
Há se me lembro e quanto! – para usar a expressão do poeta.
A retina parece reter como um estojo mágico as visões da infância.
Lembro-me tanto delas, quanto de crepúsculos bernardianos, nos quais o azul meigo do céu deixa a cena para a chegada de “estrelas que lembram cadáveres de virgens nuas em lagoas esquecidas.”
Há – se me lembro e quanto !
Da lua que em certas noites brotava do outro lado do rio dando a impressão de que as matas ciliares iriam pegar fogo, pois ela não parecia refletir o sol – era como a rematerialização do próprio sol, um sol noturno que vinha cumprir o seu rodízio na distribuição dos deveres da natureza.
Também gravou-se indelévelmente na retina a cena de nuvens pesadas espancando a rocha da Serra da Bagagem anunciando que a chuva chegaria pesada e inclemente, açoitando as árvores, assustando as crianças, acossando o vôo das andorinhas em fuga. E como esquecer daquele diluviano dezembro que empardeceu o leito do Corumbá e o tornou indomável como um ciclone?
Tomo de novo palavras de um poeta para a comparação : “pouco sei sobre deuses, mas sei que às vezes o rio é um deles, um poderoso e carrancudo deus pardo” – escreveu T,. S., Eliot, certamente diante da visão de uma cheia do Mississipi–Missouri.
As enchentes do Corumbá inspiraram um dos melhores contos de Bernardo, esta obra—prima que é Nhola dos Anjos e a Cheia do Corumbá, traduzido para diversas línguas. E também um conto de Benedito Odilon Rocha, cujo sucessor nesta Casa é o fraterníssimo amigo Antônio José de Moura. Este trabalho, A Enchente, ganhou um prêmio de Concurso de Contos de Natal promovido pelos antigos Diários Associados. Um conto de final feliz : as águas extravasadas e furiosas como nunca haviam sido antes derrubaram a ponte, isolando a cidade. Como Papai Noel poderia chegar a tantos sapatos de crianças que esperavam os presentes como quem espera os pomos da felicidade ? Mas ele chegou, alando as renas que puxavam o seu trenó — e em meio às chuvas que pareciam cair como intermináveis lágrimas pode-se ouvir enfim os risos das crianças felizes com seus brinquedos.
Como me esquecer dos agostos do meu aniversário, comemorado algumas vezes em meio à romaria de Abadiânia ? Como me esquecer, nesse percurso, da dourada copa do ipê amarelo enfeitando o caminho? Acima de tudo poeta, Benedito Odilon Rocha captou esse singular amarelo em flor da árvore enfezada que se transmuda nos agostos, a qual ele preferia designar de caraíba, como a chamam os caboclos. O poema
A Caraíba deu-lhe o prêmio do Congresso de Intelectuais que, em 1953, trouxe a Goiânia, dentre outros escritores importantes, , o cancioneiro do Canto Geral, Pablo Neruda.
E como não me lembrar das manhàs frias, com minha màe Ana prisioneira dos cuidados com os irmãos mais novos, e minha avó Eudóxia das Dores Leal Rocha, Doxinha, conduzindo o neto à Igreja, antes aos domingos, e depois, fazendo o gosto dela, quase todos os dias, pois era um dos coroinhas recrutados pelo padre Guilherme Ferreira dos Santos , junto com outros meninos, entre eles José Durvalino, Eufrásio Cardoso, Sebastião da Costa Abrantes e Ramon Curado.
Ainda não se rezava a missa no vernáculo, de modo que aqueles sons do latim também se gravaram no arquivo das lembranças da infância. Foi muito precoce, pois, e depois percebi que me seria útil, o contato com a língua dita morta – mas que na verdade está tão viva na vitalidade de todas as outras. Língua que permitiu a Virgílio tornar divino, na expressão de Henriqueta Lisboa, o verbo humano.
À tarde, em certos períodos do ano de fatigante calor, a escola – risonha e franca, façamos concessão a este tão simpático lugar-comum. Como me lembro bem da dedicação das professoras : Geny, Alice, Ezir, Goiani, dona Julieta Costa Campos e uma jovem normalista diplomada pelo Colégio Santa Clara, Mizza Jacinto, parente de outro escritor da terra cuja criação o Brasil inteiro consagrou – José J. (este jota é de Jacinto) Veiga. Nossa amada mestra Mizzita, como preferem tratá-la os amigos, está aqui neste recinto – e na pessoa dela quero homenagear a educação e os educadores.
No Grupo Escolar João Mendes, a alfabetização e a aprendizagem do segredo de lidar com as palavras, a descoberta do primeiro livro, Ritinha Quer Um Presente, consumido como uma guloseima que abriria o gosto por todos os cantos e cantinhos de leitura.
Na transição dos anos 40 para os anos 50 , não obstante toda a impressão de isolamento da cidade bucólica que Erico Curado, em um soneto, comparou a uma vila de Espanha plantada na encosta de uma montanha, havia ali surpreendente vida cultural, sim. Pois Corumbá fazia e ia ao teatro, ouvia a banda passar, tinha sua boa orquestra e uma janela para o mundo aberta na tela do Cine Esmeralda.
O vôo lento dos Douglas D-3, literalmente velhos de guerra, da Aerovias Brasil, demorava a ligação, entrecortada por muitas escalas, entre o Rio e Anápolis, mas graças a eles matutinos cariocas podiam ser lidos no início da noite em algumas residências de Corumbá, nas quais viviam assinantes do Diário Carioca, de O Globo, e do Correio da Manhã. Ávido, depois da escola , eu esperava a jardineira que trazia de Anápolis os exemplares, para não dormir sem ver a seqüência das tiras que esses jornais publicavam. Certamente sorvia nesses jornais as primeiras gotas da cachaça do jornalismo.
Iria desligar-se meu pai do compromisso de mandato de prefeito de Corumbá, com o plano, em seguida, de mudança para Goiânia, mas antes que ela se desse, em definitivo, integrei, com 9 anos, um trio de corumbaenses que foi se aportar no Juniorato São José, da comunidade redentorista, em Campinas. Os outros dois eram Eufrásio Cardoso e Sebastião da Costa Abrantes. Por lá já havia passado este homem da comunicação a quem tanto respeito, o padre Jesus Flores, e lá se iniciou a minha gratificante amizade com um dos responsáveis pelo seu ingresso nesta Academia – Geraldo Coelho Vaz.
Goiânia dos anos 50, ainda com resíduos do Chão Vermelho de Eli Brasiliense, absorveram, com a mesma rapidez de seus redemoinhos de então, o final da infância, a adolescência e a juventude. O gosto pela leitura reforça-se na passagem pelo Ateneu Dom Bosco, à qual devo muito pela familiarização com o texto – graças principalmente a aulas como a do saudoso professor Carlos de Campos.
Havia uma compulsão pelo futebol, acentuada pela vizinhança da casa em que morava com o Estádio Pedro Ludovico, mas apesar de toda a indisciplina, e dela não me arrependo neste caso, o verbo ler se tornou objeto de meus prazeres. Carlos Castello Branco, o mestre Castelinho, considerava bem—aventurados os jovens que tinham vocação para o jornalismo desde que lessem Machado de Assis. O enigma de Capitu intrigou-me ainda na adolescência e alguns dos maiores poemas de todos os tempos de escritores estrangeiros inseriram-se na minha alma pela versão sempre inexcedível da tradução machadiana : A Jovem Cativa, de André Chernier, Lúcia, de Musset, A Elvira, de Lamartine, trechos do Hamlet, de Shakespeare e de A Divina Comédia, de Dante – e, para fecharmos tais exemplos, a insuperável versão para o português de O Corvo, de Edgard Allan Poe.

Não quero abusar de tolerância dos confrades e dos amigos, mencionando outras influências, que foram muitas, e de outras preferências literárias, também muitas, assim como da compulsão para apreciar o bom cinema e o bom teatro na minha formação cultural. Reforçaram-na uma fase de leitura de textos em inglês, inclusive literatura, o contato com obras da área de Ciências Sociais e um curso de Comunicação, no Rio, supervisionado pelo professor Muniz Sodré, que recrutou excelentes professores e palestrantes.
Esta formação é na verdade modesta, nunca presunçosa, mas sempre me ajudou bastante nos caminhos do jornalismo – inclusive quando, nesses caminhos, tenho podido dar a minha contribuição à cultura e aos produtores culturais.
Creio dispensável tomar tempo de todos os que me trazem sua manifestação de amizade neste momento falando sobre o que, desde os 19 anos, faço como jornalista. Para não me sentir eticamente constrangido por vir ocupar esta Cadeira número 7 da Academia Goiana de Letras, tendo publicado, por enquanto, apenas um livro, Os Inquilinos da Casa Verde, proponho um pacto com os que me elegeram . Vamos fazer de conta que, por modesta que seja, mas plena de amor, a minha contribuição jornalística à valorização do escritor goiano tem alguma importância e os acadêmicos consideraram bastante este dado quando decidiram me dar a honra de me fazer sentar entre eles.
Pois é muita honra ocupar esta Cadeira número 7, cujo patrono é José Martins Pereira de Alencastre e cujos três ocupantes anteriores projetaram-se por apreciável estatura cultural : João Teixeira Álvares, Ignacio Xavier da Silva e Benedicto Silva.


JOSÉ MARTINS PEREIRA DE ALENCASTRE – PATRONO DA CADEIRA 7 DA AGL

“Qualquer um pode fazer história, mas só um grande homem pode escrevê-la’ – eis um aforismo de Oscar Wilde.
O baiano José Martins Pereira de Alencastre somou ambas as virtudes, pois fez história e soube escrevê-la. Fez história no Piauí, escreveu história no Piauí, fez história em Goiás – e deu importante contribuição para a literatura histórica de Goiás.
Nascido na Freguesia de Rio Fundo, Bahia, em 1831, em família de modesto status econômico, José Martins Pereira de Alencastre conseguiu em Salvador cursar as disciplinas preparatórias básicas. Ligou-se então ao Piauí, trabalhando inicialmente na Secretaria do Governo e depois como Promotor Público em Olheiras. Fundaria o primeiro jornal de Teresina – A Ordem – em 1853. Depois de ter sido nomeado professor de Português no Liceu de Teresina, iniciaria as pesquisas para um trabalho de fôlego – Memória Corográfica, Histórica e Geográfica da Província do Piauí.
Informa-nos o acadêmico Humberto Crispim Borges que depois de ter cumprido missões no Rio de Janeiro, no Paraná e no Rio Grande do Sul, foi ele designado presidente da Província de Goiás, sendo empossado no cargo em 21 de abril de 1861.
O espírito progressista de José Martins Pereira de Alencastre reflete-se imediatamente na filosofia do governo, pois dá prioridade à instrução pública, organiza o Arquivo Público , promove levantamento estatístico da produção dos principais municípios goianos e abre estradas.
Em 26 de junho de 1862 foi recrutado pela Corte para dirigir um departamento da Pasta de Agricultura, Comércio e Obras Públicas. Em l863 concluiria os Anais da Província de Goiás, obra que teve o apoio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, do qual era sócio. Os Anais foram impressos pela primeira vez em 1864.
Indispensável será lembrar que em 1979, no governo Irapuan Costa Júnior, e por iniciativa do gabinete do então vice—governador, o acadêmico José Luiz Bittencourt, a obra de Alencastre foi reeditada com recursos de convênio com a Superintendência do Desenvolvimento do Centro—Oeste, a extinta Sudeco.
José Martins Pereira de Alencastre passaria depois pela Presidência da Província de Alagoas, ajudaria a organizar corpos de voluntários para a Guerra do Paraguai e, muito jovem, com apenas 40 anos, morreu no Rio em 1971 Além de obras d e natureza documental, ele ainda escreveu Lágrimas e Saudades e O Cavaleiro da Cruzada.


JOÃO TEIXEIRA ÁLVARES – PRIMEIRO OCUPANTE DA CADEIRA 7

É dos grandes nomes da galeria da medicina em Goiás e no Triângulo Mineiro. Autor de obras científicas no campo do conhecimento médico consideradas de grande valor, principalmente para a época, João Teixeira Álvares dominou conhecimentos múltiplos que tornaram o seu perfil cultural mais rico do que muitos podem supor, mesmo conhecendo referências sobre ele.
Além das obras científicas, como um importantíssimo estudo sobre a mortalidade infantil em São Paulo, contribuição que certamente ajudou muito a reduzi-la, ele excursionou pelo território da poesia e experimentou o gosto da dramaturgia, escrevendo peças como Eleuza e o Cego e a Leprosa..
A vida lhe foi dura, pois não nasceu em berço afortunado. Teve de lutar muito para conquistar o diploma de médico e se tornar depois padrão de boa e refinada cultura .Natural de Luziânia, então Santa Luzia, Filho de José Benedito Teixeira Álvares e Clara Teixeira de Araújo, viveu em outras terras do Brasil e do exterior, mas nunca deixou de amar muito o chão de origem. Quando morreu, em Uberaba, em 25 de agosto de 1940, segundo conta Gelmires Reis, havia deixado para a Matriz de Luziânia, por intenção registrada em testamento, duas belas imagens do Sagrado Coração de Jesus e do Sagrado Coração de Maria. E também deixou expresso o desejo de que transladassem para Luziânia os seus restos mortais.
Primeiro lugar em latim, geografia e filosofia estudando no Seminário da Cidade de Goiás, então capital do Estado, projeta corajosamente o sonho da diplomação viajando para o Rio. Vale-se de uma bolsa que a Princesa Isabel concedia a estudantes cujos boletins escolares atestavam amor e dedicação à aprendizagem. Posteriormente, ganha outro apoio decisivo : o do conselheiro Afonso Celso, o Visconde de Ouro Preto – e assim realizou o sonho. Humberto Crispim Borges informa que diplomação se deu em 30 de dezembro de 1895, um ano depois de haver se casado, na Cidade de Goiás, com Josefina Ludovico de Almeida. Clinicou inicialmente na própria cidade de Goiás, mudando-se depois para Uberaba, onde passa a escrever no jornal Lavoura e Comércio. No início da década de 1890, aperfeiçoa-se em Paris – e tem como mestre o grande cientista Louis Pasteur.
Homem de bom gosto, tinha amplo conhecimento de floricultura e de louçaria fina, pois teve o privilégio de conhecer a arte de porcelana de Limoges, na França – de onde trouxera a louça que se usava em sua casa de Uberaba quando recebia visitantes para almoços e jantares.
Numa Segunda viagem à Europa, participa de congresso médico em Londres e em Paris torna-se membro da Sociedade de Hipnologia. Funda a revista Jesus Cristo. Participa em Uberaba de iniciativas culturais, sem deixar de fazê—lo também em Goiás, pois foi um dos fundadores da Academia Goiana de Letras – e primeiro ocupante da Cadeira 7.
João Teixeira Álvares morreu aos 82 anos de idade em Uberaba, deixando descendentes que muito contribuiram e contribuem para o desenvolvimento político, social e econômico de Goiás, como seus filhos Pedro Ludovico e João Teixeira Álvares Júnior e seu neto Mauro Borges Teixeira.


INÁCIO XAVIER DA SILVA – SEGUNDO OCUPANTE DA CADEIRA 7

Quando Inácio Xavier da Silva morreu, em Brasília, antes de completar 68 anos, depois de ter cumprido importantes funções na área federal, sobre ele afirmou o ministro Iberê Gilson, do Tribunal de Contas da União : “Esta Casa guardará sempre viva a lembrança de sua pessoa. Sua atuação e seu amor pelo Tribunal serão para sempre lembrados, “
A exemplo da dedicação ao TCU, quando serviu a essa corte, Inácio Xavier da Silva respondeu com inexcedível zelo por todas as missões de que se incumbiu.
O falecido ex-governador de Goiás, Jerônymo Coimbra Bueno, não assinava documentos se eles não tivessem passado pelas mãos de Inácio Xavier da Silva – que foi seu Secretário de Governo.
Este homem de conduta tão confiável deixou um legado de bons serviços à cultura e ao setor público, ao direito e às causas humanitárias, tendo participado ainda de importantes iniciativas. Foi ele, por exemplo, um dos fundadores da Associação Goiana de Imprensa, tendo sido também presidente da entidade.
Nascido na cidade de Goiás em 1908, fundou com Luiuz de Bessa e Odílio de Souza o jornal estudantil O Estudante, do Lyceu vilaboense. Posteriormente, com Jaime Câmara e Joaquim de Carvalho Ferreira, fundaria o jornal A Razão. Em 1935, publica O Crime do Coronel Leitão. Pioneiro em Goiânia, muda-se para a nova Capital assim que o governo foi para ela transferido, em 1937. Com Everaldo de Souza, Hamilton de Barros Velasco e Acácio Félix de Souza, funda O Acadêmico, do Centro Acadêmico da Faculdade de Direito de Goiás, hoje unidade de Universidade Federal. Foi orador de sua turma.
Depois de ter exercido o cargo de Secretário do Governo na administração Coimbra Bueno, tornou-se advogado do antigo Ipase, o instituto previdenciário dos servidores federais e, em 1951, seria contratado pelo Tribunal de Contas da União. Foi ainda Assessor Técnido do MEC. Um ano antesde sua morte, publicaria importante obra para a cultura de Goiás : Vida e Obra de um Grande Mestre – Professor Francisco Ferreira dos Santos Azevedo.


BENEDICTO SAILVA – TERCEIRO OCUPANTE DA CADEIRA 7

Campo para sempre Formoso. Benedicto Silva nunca se conformou com a mudança da designação de sua terra natal, hoje denominada Orizona. Quando ele nasceu, no dia 3 de abril de 1905, tinha este município goiano o sonoro nome de Campo Formoso que ele conservaria no seu currículo como um traço inseparável e atávico. Era filho de Minervino Silva e Maria Jerônima Silva.
Humberto Crispim Borges e José Mendonça Teles nos dão notícias de outros traços biográficos e do perfil deste goiano que, além da sólida formação cultural, iria se tornar um dos maiores especialistas do Brasil em questões de técnica administrativa.
Professor de Introdução à Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas, à qual se ligou durante grande parte de sua vida, deixaria ele obras, neste campo, em português, inglês e espanhol. Era um dos maiores conhecedores, no Brasil, de Taylor e Fayol. Foi também tradutor, integrou o Pen Clube do Brasil e a Academia Brasileira de Ciência e Administração.
Dedicou-se também ao jornalismo : “ Seu jornalismo, afastado do rotineiro, é um jornalismo de quem faz cátedra ” – afirmariam os signatários do parecer a respeito da proposta de candidatura dele à Cadeira 7 da Academia Goiana de Letras, Colemar Natal e Silva, José Lopes Rodrigues, Bariani Ortêncio e Altamiro de Moura Pacheco.
Antes da Segunda Guerra Mundial, cursou Ciências Sociais nos Estados Unidos e se ligaria também à Unesco. Dirigiu departamentos do IBGE e do Dasp.
Produziu ele muitos projetos de reforma administrativa e ofereceu seus préstimos neste campo a Goiás, como serviço relevante às vezes, proporcionando, por exemplo, sua valiosa consultoria nesta área à modernizadora administração do governador Mauro Borges.

Sou gratíssimo a todos integrantes desta ilustre Casa de Cultura. Mas sei que todos irão compreender que, por conta de uma velha amizade, veja-me no dever de registrar um agradecimento especial aos que tomaram a iniciativa de lançar e minha candidatura : Antônio José de Moura, José Mendonça Teles e Geraldo Coelho Vaz. Agradeço muito também a deferência do nosso presidente, José Fernandes. Agradeço o apoio de Jane, minha mulher, de meus filhos, Bruno, Marcelo e Ana Cecília, de minhas noras Patrícia e Mariângela e, por eles todos, beijo as netinhas Rafaella, Carol, Isadora e Camilla.
Registro o cavalheirismo de meu concorrente – o talentoso economista e escritor Luiz Estevam, que deu à disputa o mais alto nível.
Como seria exaustivo mencionar um a um os amigos que me encorajaram e me influenciaram no processo que me levou a ocupar a Cadeira 7 da Academia, permitam-me que uma pessoa seja o destinatário desses agradecimentos todos : o poeta Domingos Félix de Souza. E aproveitemos para nele saudar todos os que colocam nas palavras as asas da criatividade poética. Saudemos todos os poetas, meus amigos, pois eles são, como os definiu Thomas Carlyle, heróis de todos os tempos, patrimônio de todos os séculos.
Sou gratíssimo a todos integrantes desta ilustre Casa de Cultura. Mas sei que todos irão compreender que, por conta de uma velha amizade, veja-me no dever de registrar um agradecimento especial aos que tomaram a iniciativa de lançar e minha candidatura : Antônio José de Moura, José Mendonça Teles e Geraldo Coelho Vaz. Agradeço muito também a deferência do nosso presidente, José Fernandes. Agradeço o apoio de Jane, minha mulher, de meus filhos, Bruno, Marcelo e Ana Cecília, de minhas noras Patrícia e Mariângela e, por eles todos, beijo as netinhas Rafaella, Carol, Isadora e Camilla.
Registro o cavalheirismo de meu concorrente – o talentoso economista e escritor Luiz Estevam, que deu à disputa o mais alto nível.
Como seria exaustivo mencionar um a um os amigos que me encorajaram e me influenciaram no processo que me levou a ocupar a Cadeira 7 da Academia, permitam-me que uma pessoa seja destinatária desses agradecimentos todos : o poeta Domingos Félix de Souza. E aproveitemos para nele saudar a imortalidade da literatura e todos os que colocam nas palavras as asas da criatividade poética. Saudemos todos os poetas, meus amigos, pois eles são, como os definiu Thomas Carlyle, heróis de todos os tempos, patrimônio de todos os séculos.

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