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Itaney Francisco Campos

Itaney Campos é escritor. Sucedeu o acadêmico Mário Ribeiro Martins.


Data de nascimento: 31/12/1951

Data de posse: 11/08/2016

Cadeira Nº 37

Posição: 2° ocupante

Indisponível.

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DISCURSO DE POSSE

 

Senhora Presidenta, poetisa Lêda Selma de Alencar,

Senhor Presidente Desembargador Leobino V. Chaves,

Senhores Acadêmicos,

Senhoras e Senhores.

 

Neste instante, sou puro reconhecimento. Reconhecimento por estar aqui, dirigindo-me à seleta assistência, que tem a elegância e a fineza de me ouvir,  para expressar a minha emoção ao ingressar na conceituada instituição cultural que é a Academia Goiana de Letras, templo onde sempre refulgiu a excelência da arte literária deste Estado e,  por que não dizer, da criação literária do Brasil Central.

Ingressar na Casa de Colemar Natal e Silva, o prócer da cultura goiana, cujo nome fulgura na raiz de todas as instituições culturais deste Estado, é façanha que efetivamente justifica esta vaidade, esta conquista que, na expressão de  Machado de Assis, é a única glória que fica, eleva,  honra e consola.  

Jurista, historiador, professor, agente cultural de primeira grandeza, Colemar é astro superior da nossa constelação cultural. Por isso, vanglorio-me também de a ele me unir por nossas raízes comuns, assentadas na outrora notável e heróica vila de São José do Tocantins, hoje Niquelândia, berço do mestre-fundador e também dos meus antepassados, os Fernandes de Carvalho.

Se aqui estivera, o Professor Colemar, primeiro presidente de fato desta Academia, talvez me abraçasse paternalmente e se referisse, evocando seus conhecimentos de historiador, ao meu tio-bisavô, Joaquim Fernandes de Carvalho, que, além de conceituado mestre-escola na antiga e bucólica Vila Boa, foi proeminente figura política nas últimas décadas do século XIX e inícios da República, havendo integrado o Centro Republicano, liderado pelos Bulhões,  presidido a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados nas legislaturas de 1892 e 1893 e atuado como deputado constituinte, como registram os historiadores Francisco Itamir Campos, em “O Legislativo em Goiás”,  e também a historiadora Maria Augusta de Sant’Anna Moraes no seu precioso “História de uma oligarquia, Os Bulhões”, dois títulos incontornáveis da historiografia goiana.

E é de alta voltagem a alegria de conviver com uma das filhas do Dr. Colemar, a professora doutora Moema de Castro e Silva Olival, mestra de muitas gerações, referência na crítica literária em Goiás.  E de cujo saudoso marido, professor Louvercy Olival, recebi, na Faculdade,  preciosas lições de semiologia, nas variantes riquíssimas do significante e do significado, formuladas por Ferdinand de Saussure.

Chego a esta Casa de letras como o peregrino que, após longa e exaustiva jornada, adentra, com reverência e respeito, o território sagrado; viandante que, aliviado, entrevê o oásis onde encontrará o refrigério da fonte límpida e fresca da criatividade literária. Fresca e límpida porque libertária, numa terra onde vicejam, sob a enganosa capa da cordialidade, a misoginia, o discurso da intolerância e uma surpreendente aspiração autoritária, antes insuspeitada.

Nessa senda, de parca luz, semeei, no meio do caminho, um grão de poesia, sob o topônimo de Inventário do abstrato; dediquei-me a registrar  a vida de um velho mestre, sacerdote da cultura, magistrado e antropólogo, Antonio da Silva Neiva, e aventurei-me pela historiografia, registrando as agruras de magistrados goianos, sob o tacão da ditadura militar, além de ter me dedicado, em um opúsculo, a registrar as raízes desta bela capital, encravadas no arraial da Campininha.

Ingresso nesta confraria como se ingressasse em um templo; não que espere conviver com monges ou querubins, que a nossa substância é humana, – razão da nossa glória e do nosso infortúnio – mas sim com seres esperançosos, que buscam, na essência, eliminar os preconceitos, compreender a alma humana e fazer da criação literária uma forma de superação e de permanência. O sentimento de amor à arte é o que nos agrega e nos irmana. Compreendo, como o poeta Eucanaã Ferraz, que  a literatura não conforta. Ao contrário — ela perturba, aciona coisas, cria algum tipo de insatisfação. Por isso, é uma aventura sem fim.” Mas compreendo também que ela é uma forma de se deixar um testemunho, de imprimir a nossa marca no mundo e na vida das pessoas. A narrativa como chave para penetrar as escamas do mundo. Essa é a nossa missão.

Para Lygia Fagundes Telles, o compromisso maior do escritor é ser testemunha do seu tempo e da sua sociedade. Testemunha e participante, ele recolhe e devolve. Compromisso consigo mesmo no sentido de jamais vender a alma ao Diabo”. E o diabo, quero crer,  é aqui, o dinheiro e o mercado. E a má literatura. Miguel Sanches Neto é incisivo: “Os escritores somos os guardiões do fogo. Nós mantemos vivo todo um universo imaginário que periga perecer.”

Este é um tempo de golpes, tramoias, prisões em massa e maus poemas. Mas como diria Drummond, “continuemos a nutrir grandes esperanças, não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas”.

Chego como se estivesse retornando ao sítio simbólico de onde nunca deveria ter saído. Desde o albores da minha adolescência venho palmilhando, fascinado, os caminhos mágicos da literatura, às vezes sangrando a alma, outras vezes, torturando o espírito, mas sempre querendo seguir, descobrir, desvendar o panorama tormentoso da alma humana. Nessa jornada, avancei por “mares nunca dantes navegados”, guiado pelos avatares da poesia; contemplei, à luz da narrativa, os círculos incontornáveis da maldade humana, as dimensões encantatórias da fraternidade e o abismo da angústia encravado na alma dos homens. Ainda adolescente, naveguei em espírito pela odisseia lusitana de Os Lusíadas, imaginei os círculos dantescos de A Divina Comédia, sonhei os sonhos e o idealismo delirante do Quixote de La Mancha e a dúvida atroz que atormentou o príncipe shakespeariano. Nessas criações entrevia a dimensão infinita da criatividade literária.

Nesta Academia, já septuagenária, transitaram escritores de excelência, referências permanentes da literatura produzida em nosso Estado e em nossa região, avultando-se as figuras do poeta Afonso Felix de Souza, do contista Bernardo Élis, do cronista Carmo Bernardes, da poetisa Cora Coralina, para citar apenas os que já se transmudaram para a outra margem do rio. Juízes como Augusto Rios, Leo Lynce, Dario Delio Cardoso, Mario Alencastro Caiado e Modesto Gomes contribuíram em muito para a grandeza da literatura de Goiás.

Nessa vertente, questiono o meu próprio merecimento, insuficiente para ocupar tão nobre lugar, mas me apazigua saber que, se me faltam talentos, sobra-me a certeza de que venho para somar, para fortalecer o movimento cultural, para lutar pelo engrandecimento desta Academia, cuja existência já é quase secular.

Venho para ocupar a cadeira n. 37, criada, com nove outras, em 1977,  perfazendo, então, um total de 40 Cadeiras, e equiparando esta entidade às Academias Francesa e Brasileira de Letras. O anteprojeto da reforma foi de iniciativa do onipresente professor Colemar Natal e Silva, numa das profícuas gestões  do pluripresidente  romancista e contista dr. Ursulino Leão.

Para o patronato dessa Cadeira, a escolha recaíra na figura do contista e folclorista Crispiniano Tavares, natural da região do cacau, a bela cidade de Ilhéus, na Bahia, considerado um dos precursores da literatura regionalista em Goiás. Uma escolha justa, por sem dúvida. O mínimo que se poderia dizer do Dr. Crispim, como era conhecido, é que teve uma vida aventurosa e movimentada, quase quixotesca, e que conviviam nele um técnico rigoroso e um ficcionista surpreendente, misto de engenheiro de minas, defensor da natureza, cronista e folclorista. Ele encarnou o dito de Riobaldo, de Grande Sertão: Veredas: “O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.

Sobre esse baiano de origem humilde, formado em engenharia de minas em Ouro Preto, registrou o acadêmico Basileu Toledo França, arguto estudioso de sua obra:   “Crispiniano Tavares era um homem de cultura técnica e humanística superior, que, ao escrever o seu livro, no fim do século passado e primeiro lustro do atual, conhecia pessoalmente quase todos os locais descritos.” (…) “Conviveu com os moradores de vasta área do Brasil Central, viajando e observando com inteligência não apenas a paisagem e as riquezas, mas de modo especial o homem. Seus costumes. Vida econômica. O linguajar e o folclore, bem como toda a gama de conflitos e problemas, que realçam a grandeza da alma sertaneja.”

Com efeito, o Dr. Crispim percorreu em lombo de burro as regiões inóspitas do Brasil Central. Estudou e pesquisou as riquezas do subsolo, observou a prodigalidade da flora e da fauna do cerrado e tornou-se o precursor do ambientalismo, ao registrar pesaroso as cenas de caças aos animais e a destruição irrefragável das matas e da fauna miúda pelas queimadas que grassavam pelos grotões do sertão goiano. Ao mesmo tempo, estudava os costumes, observava as manifestações folclóricas e registrava-as, transportando e transfigurando no plano ficcional a galeria de personagens do sertão. Desfilam por seus contos e crônicas personagens de nomes pitorescos, como José Malmatado, Jerônimo Cabrito, Rita do Pedrão, Chico Ruim, Ambrósio Veado e João errado.

Na observação precisa de Basileu Toledo França, “coexistiam nele o técnico, que olhava objetivamente e agia sem fantasias, com o idealista, embebido de leituras clássicas e em permanente choque com a realidade crua da vida. Daí encontrarmos lado a lado o empreendedor dinâmico das mineração e o observador arguto dos costumes. Enquanto um redigia relatórios técnicos sobre as riquezas minerais, o outro se apressava em registrar os tipos humanos da região, com todos os seus sonhos, esperanças e sofrimentos”.

O Dr. Crispim cometia também suas poesias, mas estas não lograram superar a força destruidora do tempo e nem os escrúpulos de um sobrinho por afinidade, que, morto o poeta, incinerou os textos remanescentes, no intuito de ocultar a existência de outras musas, que não sua tia, a legítima, como fonte inspiradora.

Residiu Crispiniano, por vários anos, em Uberaba, trabalhando como engenheiro inspetor da ferrovia Mojiana. Seu perfil biográfico, ao lado do escritor romântico Bernardo Guimarães e do cronista e poeta Vitor de Carvalho Ramos, integra o alentado livro “Personalidades uberabenses”, do advogado e acadêmico Guido Bilharinho, que me agraciou com um exemplar.

“Ali (em Uberaba) iniciou a formação de uma magnífica  chácara-modelo onde fazia experiências agrotécnicas, selecionando videiras e produzindo uvas, fabricando laticínios, criando abelhas ao lado de um belo pomar e mantendo um grande horta de verduras e hortaliças,” no relato de Basileu França.

Dois contos desse escritor foram inseridos na obra “Antologia do conto goiano I, Dos anos dez aos sessenta”,  organizada por Darcy Denófrio e Vera M. Tietzmann, e ali se lê a nota triste sobre o dramático momento final da vida do escritor, registrando-se que “ Crispiniano Tavares faleceu tragicamente em Rio Verde, a 13 de fevereiro de 1906, assassinado pelo ex-marido de sua companheira, que também foi morto no confronto.”   O intrépido escritor tomara por amante a mulher de um de seus funcionários e, na manhã fatídica, quando se dirigia ao seu escritório, recebeu os balaços desferidos pelo marido traído. Malgrado os ferimentos, logrou alcançar o escritório, apossou-se de sua arma e retornou à casa do desafeto, onde desferiu contra ele dois tiros certeiros e fatais. Conduzido à cadeia pública, faleceu na madrugada do dia seguinte, em decorrência das lesões sofridas.

A Cadeira n. 37 desta entidade, que venho, por força da generosidade dos acadêmicos, ocupar, teve como primeiro titular o escritor Mário Ribeiro Martins, baiano, como o patrono, natural de Ipupara, na Chapada de Diamantina, e notabilizou-se como grande dicionarista. Homem de vasta cultura, de sólida formação humanística, formou-se em teologia, ciências sociais e direito, licenciando-se ainda em filosofia. Conciliava as funções de professor e pastor da Igreja Batista com a produção intelectual, integrando várias Academias e entidades culturais dos Estados de  Goiás, Tocantins, Minas Gerais e São Paulo.  Em 1978 torna-se membro do Ministério Publico de Goiás e é promovido, em 1997, ao cargo de procurador de justiça.

Escreveu dezenas de livros, citando-se entre os principais títulos, os “Estudos literários de autores goianos”, de 1995, “Escritores de Goiás” (1996), “Dicionário biobibliográfico de Goiás (1999)” e Dicionário biobibliográfico de membros da Academia Goiana de Letras” (2007). Escreveu também dicionários biobibliográficos relativos aos membros do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás e da Academia Tocantinense de Letras. Mário Martins foi ainda professor das Faculdades de Filosofia e  de Direito da cidade de Anápolis, onde dedicou-se também ao ministério religioso, como Pastor da Primeira Igreja Batista daquela urbe. Ingressou nesta Academia no ano de 1983, em sessão presidida pelo então Presidente, Dr. Ursulino Leão.  Seu discurso de recepção foi proferido pelo empresário da comunicação, Jaime Câmara, o autor de “Nos tempos da mudança”.

No alentado livro “A Consciência da liberdade e outros temas”, Mário Martins reúne artigos e crônicas sobre os mais variados temas, do filosófico ao politico,  que publicou em veículos diversos, agregando ali a sua fortuna crítica. Sobre o seu persistente e percuciente trabalho, que bem merece ser mais conhecido, manifestou-se o grande poeta e professor de Literatura, acadêmico Gilberto Mendonça Teles, imortal da AGL: “Homem cordial, culto, de conversa cativante e conhecedor apaixonado da realidade em que vive – Goiás e Tocantins, por onde fluem os mais importantes rios do Brasil-,  Mário Martins realmente me cativou e me deu consciência da sua importância na consolidação cultural do novo Estado. Livros como “Escritores de Goiás”, “Dicionário Biobibliográfico do Tocantins”, para ficar apenas nesses, são uma notável trilogia que dá bem uma amostra de seu poder de pesquisa e organização, suficientes para comprovar o valor de sua contribuição na leitura do mapa cultural do região do Centro Oeste.  Daí minha admiração pelo seu trabalho intelectual, que reitero”.

Senhora Presidenta,

Não venho para o sossego, porque a messe literária é de inquietação. E de angústia. Nossa matéria prima são as circunstâncias do ser humano, cujo signo é a transitoriedade e o fatídico, por isso, nossas narrativas se impregnam de melancolia e fatalismo. Foucault dizia que “escrever, no fundo, é tentar fazer fluir, pelos canais misteriosos da pena e da escrita, toda a substância, não apenas da existência, mas do corpo, nesses traços minúsculos que depositamos sobre a folha branca”.

Não há como desconhecer que vivemos em um Estado de base econômica agropastoril,  que reflete valores de gênese rural, sem a sofisticação cultural dos grandes centros urbanos. Urge que, sem rejeição de nossas raízes, plantadas nos cerrados, lutemos pela afirmação da cultura intelectual, cujo vigor é a marca das civilizações modernas, pautadas pela tolerância no convívio qualitativo da sociedade.

Não penso que o engajamento social seja condição intrínseca à verdadeira arte, inclusive a literária. Pelo contrário, a arte dita realista tende ao panfletário, com grave risco de distanciar-se do ideal estético. Não significa isso que o artista, o escritor sobremodo, deva ser um alienado do seu tempo histórico e um indiferente à condição humana, pois a criação literária não se reduz a puro entretenimento. Pelo contrário, o artista é testemunha do seu tempo, deve estar compromissado com os cânones da estética e as circunstâncias da condição humana. Para Saramago, “escrevemos porque não queremos morrer. Esta é a razão profunda da arte de escrever”.

Da mesma forma, a arte que fomenta preconceitos e discriminação de qualquer espécie diminui-se como expressão estética. A arte deve ser um instrumento de libertação, não no sentido político, mas no sentido da superação possível das  misérias da condição humana, sobretudo aquelas derivadas da cultura misógina, racista, intolerante e partidária da violência disfarçada de cordialidade. Das misérias da hipocrisia. Sartre observou: “O homem nada mais é do que aquilo que faz de si mesmo, e é responsável por todos os homens.”

Enquanto a indesejada das gentes não descerra nossa porta, urge que trabalhemos. E é também para isso que vim, para colaborar, para participar e contribuir. Os confrades acadêmicos não lamentarão o apoio dado ao meu nome, porque cerrarei fileiras com aqueles que pugnam pelo engrandecimento da Academia, que se realiza na labuta pela expansão das manifestações culturais, especialmente a produção literária. O quadro desolador do mercado editorial, o índice irrisório de leitores habituais no Estado não devem nos empurrar para a inércia e a desânimo. Entreguemo-nos ao bom combate, que algum fruto haveremos de colher. E cuidemos da flor do lácio, que esse é o nosso papel de jardineiros. E também de barqueiros, pois como disse Saussure, a língua não é um barco no ancoradouro, mas um barco solto no mar. Ela é a nossa pátria, já disse Pessoa. E navega em direções inesperadas, porque é um organismo vivo, com sua capacidade de subsistência, suas perdas e aquisições. Mas o quadro atual recomenda que ofereçamos resistência, antes que o canibalismo da língua inglesa, a língua da economia mundial, reduza o vernáculo a um dialeto. Resistir é preciso. E esse é um papel a ser desempenhado  pelas Academias de Letras, sob a batuta da congênere nacional.

 

Muito estou a dever ao panorama literário do Estado e àqueles que, com grande benevolência, me acolheram nesta casa de escritores. O que posso assegurar é que me empenharei nessa seara, nesse eito em que se debruçam os escribas, operários da palavra, na lavra do espírito, da ficção e do registro do drama e da comédia humana.

Senhores e senhoras, já vou longe nestas considerações e sinto que já não me é dado abusar de sua paciência.

Ao encerrar este fastidioso pronunciamento, quero ressaltar a honraria de ter sido recebido nesta Academia por um dos seus expoentes, o jornalista, cronista, advogado, historiador, ex-parlamentar, ex-presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado, ex-presidente da Academia Goiana de Letras, o emérito tribuno Eurico Barbosa dos Santos, intelectual exemplar, por sua coragem e coerência, ornamentos de uma vasta cultura, atestadas nos seus livros Confissões de Generais – A verdade sobre o golpe de 64 e Na Tribuna da Academia e outros escritos, que mereceriam ser leitura obrigatória nas instituições pedagógicas e nos cursos de ciências políticas, tal a lucidez das análises que tecem do movimento militar obscurantista de 1964 e da evolução cultural deste Estado. Seus artigos recentes, no jornal Diário da Manhã, são de assombrosa coragem e lucidez. É  uma honraria que supera em muito quaisquer merecimentos, se eu tivesse a veleidade de os ter, que os não tenho. Só me resta, então, externar o comovido agradecimento a esse  intelectual de estirpe, titular de enciclopédico saber e ímpar generosidade. Por fim, reiterar aos acadêmicos, especialmente ao Presidente do IHGG, poeta Coelho Vaz, e à Presidenta Lêda Selma, brilhantes administradores, o meu constante e fiel sentimento de gratidão e companheirismo.

Concedam-me alguns minutos finais para os registros de caráter pessoal e sentimental, pois não posso concluir sem agradecer a gentil presença dos meus familiares, particularmente daqueles que se abalaram de Uruaçu e Vitória, para abrilhantar esta cerimônia; dos confrades do IHGG e da UBE/GO, dos artistas, dos colegas juizes e desembargadores, dos diretores e assessores do Tribunal de Justiça de Goiás, das autoridades presentes e, mais que tudo, ressaltar o meu amor incondicional pelos  meus filhos, Raquel (aqui presente), com Marlon, e Matheus e Ana Laura, nas distantes cidades de Maputo, capital do Moçambique, na África, e Hamburgo, no norte da Alemanha,  onde vive o meu primeiro neto, Lauro Vollmer, lembrança que me redime de todas as possíveis tristezas.  Louvar essa pessoa terna e amiga, que é a minha mulher, Leila Regina, cuja presença ilumina, fortalece e dá sentido à minha vida, e a quem reafirmo a cumplicidade do meu amor confidente.  Muito obrigado a todos.

 

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