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Maria Augusta de Sant’anna Moraes

Maria Augusta é escritora. Sucedeu o acadêmico José Asmar.


Data de nascimento: 15/07/1936

Data de posse: 16/08/2007

Cadeira Nº 34

Posição: 4ª ocupante

Indisponível.

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Panegírico sobre Humberto Crispim

Da farda ao fardão da Academia

Dia 11 de fevereiro de 2016.

 

Julgo-me feliz por integrar o círculo de amizade do escritor Humberto Crispim Borges, hoje, aqui reverenciado pelo grande ser humano de sua longa existência.

Lembro com carinho o dia, que se vai longe, ao receber o primeiro convite para pertencer a Academia Goiana de Letras, convite este vindo de sua pessoa.

– Obrigada Cel., mas ainda estou muito verde.

Ele responde:

– Que verde nada, o seu livro História de uma Oligarquia: Os Bulhões, já lhe abriu as portas.

Nossas reuniões são excelentes, e o convívio com os acadêmicos é muito agradável, a senhora vai gostar.

Foram palavras entendidas, vindas de sua fidalguia e estímulos para continuar a pesquisar a nossa história.

Ao receber a notícia que fora eu designada para reverenciar a sua vida e obras, senti-me pequena demais para discursar sobre um homem que com o seu modo de ser, por onde passou deixou marcas indeléveis de honradez, sinceridade, disciplina, generosidade e, eficiência, sem lembrar, naquele momento de emoção, o seu legado literário e histórico à sociedade brasileira, e em especial, à de Goiás.

Refeita, envolvida nas pesquisas sobre seus trabalhos, sua existência, confesso: gostei de estar com o meu amigo de tantos anos. Nestes reencontros busquei sua vida profissional, intelectual e pessoal, e quantas vezes, perguntas lhe fiz, era como se manter uma conversa, sentindo-o presente em seus escritos, em suas lutas, dores e realizações.

Já se disse que o séc. XX para as letras goianas transcorreu com fortes rajadas de ouro, Humberto Crispim Borges é um dos goianos responsável por este brilho aurífero, não só de nossa literatura, como de nossa história.

Agora, volto ao tempo histórico – 1889 – nascia a República do Brasil, sob a força de um severo militar, disposto a depor um Ministério, mas em meio aos percalços do movimento transformou-o, sob a filosofia de Augusto Comte, ao voo do pássaro, ouviu-se o grito à Proclamação da República, e seus feitores aprisionaram, sem resistência, a Família Real encaminhando-a à França.

Da inesperada República e do exilio da Família Real não compartilharam os fundadores do Partido Republicano (1870), do mesmo modo, o povo presente à assistiu bestializado. Tantas as improvisações e desacertos ao ponto de Aristides Lobo, um republicano histórico, desiludido, lamentar: esta não é a República do meu sonho.

Afirmou-se o regime graças aos estadistas e aos seus seguidores participantes da formação do Estado Nacional, que tiveram como objetivos maiores a integridade do espaço geográfico e a nacionalidade das terras administradas pelos portugueses, trabalhadas pelos negros sob açoites, impondo aos nativos a sua interiorização, quando não, o extermínio dos donos terra de Pindorama, erroneamente denominados índios.

A República trouxe transformações para os estados brasileiros, como a federação, aspectos econômicos, sociais e mesmo políticos, os efeitos não foram imediatos, exigiram tempo às suas mutabilidades.

A surpresa da Proclamação da República que tardiamente chegou às Províncias, já transformadas em Estados, agradou aos políticos regionais tolhidos pela autonomia do Poder Central do Império. Ressentiam-se, em especial, da ausência da Federação e do poder de escolher e conduzir os poderes Executivo e Judiciário regionais, trabalhando-os com seus cordéis.

Neste momento, interessa-nos tangenciar a conjuntura política em Goiás no último lustro da segunda década do séc. XX, quando se vivia, entre os grupos locais, ambos oligárquicos, mais uma crise pelo poder, e intermediados pelo Governo Central. Entre as cláusulas do acordo, umas cumpridas outras não, determinou-se que o próximo Presidente do Estado seria um goiano, sem vínculo partidário no Estado, e naquele momento Desembargador no  norte do país.

Até este governo, Goiás não possuía nenhum grupo escolar. O Governador escolhido, João Alves de Castro, trouxe taliscas de luz à educação, alguns grupos escolares foram criados.

Também, no segundo lustro dos anos vinte, os desmandos e abusos do poder político frutificaram-se sem precedentes, gerando uma crise encaminhada não por políticos, mas pelo Poder Judiciário, impulsionada pela maioria dos Desembargadores, que solicitou Intervenção Federal no Estado, fato que amainou os ânimos, amortecendo o temor de desaguar em tragédias.

A vitória do Movimento de Trinta pôs fim aos enfrentamentos entre o Poder Executivo e Judiciário; os atores que desafiaram o Poder Executivo caminharam com a nova ordem constituída.

Nesse cenário sociocultural e político nasceu em julho 1918 Humberto Crispim Borges. Seus pais Antônio e Galiana Crispim, casal de poucos bens, de família de tradição e de caráter ilibado.

Antônio mantinha um comércio em Traíras, distrito de Anápolis. Humberto ao recordar o pai estimava-o homeme de poucos bens, trabalhador, lutador incansável, homem de caráter e persistente. Construiu uma família grande e ao nascer cada filho sonhava oferecer-lhe educação superior, inclusive às filhas, ideal pouco comum à época. Nas letras via o caminho de movê-los para cima, no dizer do filho escritor, não os queria nos balcões de Armazéns de Secos e Molhados, que tudo vendiam, seguindo a tradição do costume português.

Humberto Crispim veio à terra, justo no momento da criação dos primeiros Grupos Escolares no Estado de Goiás, os ministradores do antigo curso primário. Anápolis sediou um deles.

Sua infância, no distrito onde nasceu, transcorreu na mesmice do tempo. Possuía uma obrigação, […] todos os dias buscar o leite no João Nem e Pedro Zulmo, pulava no escuro, rápido lá chegava, pegava o galão cheio de leite fresquinho recém-saído do peito da vaca.

Diversões mesmo, em turmas os banhos nos córregos mais próximos, para o desespero das mães, receosas de possíveis acidentes, os jogos de futebol com suas torcidas flutuantes entre os dois únicos times, correlatas às brigas ocorridas no recreio do grupo escolar e ainda os jogos de bilocas.

Os filhos de Antônio Crispim lograram estudar a primeira fase escolar sem grandes despesas em Anápolis. Quando os dois de seus filhos mais velhos cursavam o último ano do primário, a mãe Galiana iniciava o feitio dos enxovais para encaminha-los ao internato do Ginásio Anchieta, recém-criado pelos esforços do bispo da Arquidiocese de Goiás, Dom Emanuel Gomes de Oliveira.

Seis foram os enxovais preparados por Galiana para atender aos filhos homens, que seriam encaminhados para o Ginásio Anchieta, além do enxoval da filha mais velha, também conduzida para o Colégio Maria Auxiliadora, ambos em Bonfim. As duas outras filhas estudaram no Curso Normal criado por Vitor Coelho de Almeida, em 1939, em Anápolis.

O propósito da decisão de Antônio de conduzir seus filhos àqueles colégios de alto custo, fez com que sofresse […] espantos e reprimendas de amigos e parentes abastados […] que nas letras não viam nenhum melhor futuro […] para os filhos. Críticas essas, que não deixaram de entristecer o casal, já amargurado, pela saudade dos filhos, agora circundado pelo receio se pertinente ou não o seu ideal.

Para os amigos mais esclarecidos, investir todas suas economias e, ainda, o trabalho do porvir, em manter os filhos estudando em internatos de padres, não só fugia à normalidade do tempo, como alcançava o heroico, ou o desvario.

Ressalte-se, por duas vezes, Antônio viu-se falido, e por duas vezes, encontrou amigos abastados que o socorreram, recomeçando os seus trabalhos nos mesmos secos e molhados sem nada ter de seu, até mesmo, sem casa para morar.

Para Humberto Crispim, o pai ao realizar o seu ideal que nasceu ao nascer o seu primeiro filho e renovado em cada novo nascimento, o conduziu não somente ao trabalho excessivo, mas também, a um cotidiano de preocupações, com contas a receber, compromissos a saldar, receitas perdidas; conjunto de dificuldades que resultava em noites mal dormidas. Enfim, sua escolha de vida, abdicação de si mesmo, mesmo sob o acalanto da esposa Galiana, mas, cujos sacrifícios não lhe eram despercebidos, o que o amargurava ainda mais. Por tudo isso meu pai teve uma morte precoce, justo no momento em que [] da boa semeadura [] fluíam flores e frutos.

O pecúlio bancário do pai expressou-se igual a ele – humilde. O inventariante encontrou em sua conta bancaria, trinta e cinco cruzeiros, o resultado financeiro de uma existência de trabalho, e, na casa, onde não mais se encontrava o esteio, achava-se Galiana, assentada em sua cadeira e os filhos, portadores de [] um amontoado de diplomas os quais nos abriam as portas do mundo.

Retomando os caminhos de Humberto Crispim. Ainda em seu tempo do curso ginasial, destacou-se nos estudos e nas letras, fez-se redator do jornal Voz Juvenil.  Ao término dos estudos básicos encaminhou-se para Belo Horizonte com o objetivo de encontrar algum emprego e ingressar na Faculdade de Medicina, logo depois, transferiu-se para a Escola Médica de Niterói.

Não deve ter sido fácil; em 1940 fora sorteado para o serviço militar em Ipameri, o Ministro da Guerra designou-o para matricular-se na preparação de Oficiais da Reserva (CPOR) curso direcionado aos universitários; voltou a Belo Horizonte, onde já iniciara os estudos de medicina, sua ambição maior.

Diante desta conjuntura, somando as dificuldades de manter-se em curso universitário, com emprego de baixa remuneração, com o agravante de ser interrompido em aulas para atender os chamados de ofício. O bom senso de Humberto falou mais alto que seu ideal, encaminhou-se para o curso da Escola Militar, sediado do Rio de Janeiro.

Nos primórdios dos anos quarenta, o mundo vivia os conflitos da Segunda Grande Guerra, o governo do Brasil não descartou a possiblidade de participar desta guerra, embora hesitasse, nos primeiros momentos, se ele, Getúlio, admirador de Mussolini de tendências fascistas, acompanharia os Aliados ou os países do Eixo.

Haja vista, o Brasil vivia um governo de exceção, em decorrência dos abusos e fraudes das eleições, com os governos estaduais dominados pelas suas oligarquias. O candidato derrotado em 1930, aliado aos militares insatisfeitos desde o transcorrer da década de vinte, articularam um movimento que lançou raízes em todo Brasil, e fez-se vitorioso.

Getúlio Vargas assumiu o poder no Palácio do Catete intitulando-se governo provisório, mas, seus líderes militares sabiam que se provisório nada no país mudaria, assim também, pensava o líder civil Getúlio Vargas, daí porque decidiram permanecer no poder por tempo necessário.

Crivados de problemas que surgiam de todos os cantos do Brasil, e ansiosos por resolvê-los esquivavam-se de tomar parte naquele conflito mundial.

Mas, o encaminhamento beligerante no mundo mostrava impossível ao Brasil manter-se neutro. Com a premência dos fatos Getúlio Vargas desabafou […] estou só, calado para não demonstrar apreensão. Não só a elite política brasileira conhecia suas tendências ideológicas, como os governos envolvidos naquele conflito.

O estadista Roosevelt e seus estrategistas conheciam o valor da posição geográfica e estratégica do Brasil, bem como a necessidade de usá-la para o alcance da vitória. Conheciam também a ausência de poder de defesa do Brasil e sua situação econômica financeira.

Solicitaram reunião com o Chefe do Estado do Brasil para discutir política, economia e poder militar. Getúlio naquele momento não tinha condições físicas para viajar aos Estados Unidos, delegou poderes a Osvaldo Aranha, que com base nos relatórios dos Ministérios organizou um documento que se intitulou Sessão de Estudos Econômicos e Financeiro do Ministério da Fazenda e elaborou reivindicações à assinatura de uma possível parceria entre os dois países. Entre as várias abrangências contidas no documento, salientavam-se a construção de obras de infraestrutura e equipamentos militares para o Brasil versus matéria prima nacional. Não obstante, o foco maior da reivindicação do Brasil reportava-se ao apoio dos Estados Unidos à implantação da Siderurgia Nacional (Volta Redonda), o ideal maior do presidente Getúlio Vargas.

Osvaldo Aranha afirmou às autoridades americanas que as propostas ali apresentadas eram simpáticas às potências do Eixo, como empréstimos, construção da Siderurgia Nacional, etc. E que ele, Aranha, não desejava uma união com a Alemanha e o Japão, e acrescentou Getúlio Vargas não se mostra favorável à entrada do Brasil na guerra em qualquer uma das partes beligerantes.

Dessa missão e de outros fatos, como os afundamentos dos navios brasileiros em águas nacionais, resultaram na participação do Brasil na Segunda Grande Guerra. Não obstante, Getúlio continuava com seus temores; no seu íntimo não acreditava na vitória dos Aliados. Registrou em seu diário […] não sobreviverei a um desastre para minha pátria […] só Deus sabe o futuro.

Dessa conjuntura internacional, de conflitos e incertezas do Estado Brasileiro e de suas famílias, o estudante goiano, aspirante em formar-se em medicina, Humberto Crispim, teve seus planos de vida abalroados.

Não sei como sentiu-se à época, ver o seu ideal de profissão tolhido pela força de um conflito internacional. Seu filho Marcelo descartou possíveis frustrações, dizendo-me: em família, entre os filhos, não me recordo de manifestar-se sobre esse assunto, acredito, pelo seu modo de ser, homem de poucas palavras e diretas, sempre prático […] meu pai transpirava firmeza, gostava de ser militar.

De fato, o perfil de Humberto Crispim não abria espaço para lamúrias. Sua objetividade manifestava-se plena. Os devaneios, as ilusões, os tresvarios, o imaginário do contista ou romancista decompunha-os entrelaçados em realidades, revestindo-os com cores brilhantes, às vezes sombrias, trágicas, com finais inesperados pelo leitor, alargando-lhe os horizontes.

Extraí, também da fala de Marcelo, ser possível o fator dominante em aceitar o desafio de integrar-se com perseverança a uma profissão distante de seu ideal, reportava-se a Alice, pois desde que fora seu professor em tempos de férias encantara-se com a beleza e o modo de ser da aluna menina.

Nasceram e cresceram no mesmo distrito de Anápolis. As famílias entendiam-se, enlaçadas pelos mesmos valores. Mas o período de infância de Humberto não fora o mesmo de Alice. Dez anos mais velho lembrava de seu tempo de bebê, e entre eles persistiu uma admiração mútua, e, sem que percebessem, tornaram-se namorados, à moda antiga.

O que de fato se infere: Humberto acostumara-se a cumprir religiosamente o regulamento dos salesianos, o não engajar-se no sistema militar implicaria em recomeçar os estudos médicos, enfrentar novos desafios, e ter pela frente mais cinco ou seis anos de estudos, era tempo de mais e, mais uma vez Alice, correria o risco de perdê-la e nisto, nem pensar queria.

Três anos depois tornou-se Oficial da Reserva, com elogios de seus superiores pela eficiência, seriedade e disciplina. Ingressou com fidalguia na Ativa do Exército Brasileiro. Preparando-se em São João Del Rei para enfrentar os campos de guerra na Itália.

Tão logo termina a Segunda Grande Guerra, o governo brasileiro integra na Ativa os Militares de Reserva portadores de cultura universitária. Humberto Crispim encontrava-se entre estes. Ingressou, com fidalguia, sob elogios de seus superiores na Ativa do Exército Brasileiro.

Casou-se em 1949, aos 31 anos, com a garota de seus sonhos, tiveram cinco filhos aqui presentes; Marcelo, Antônio, Silvana, Maria Terezinha; a mais velha, Maguinha, possuidora de cândida beleza, não se encontra mais entre nós. Igual à mãe, morreu jovem. Mas cultivo a certeza de que pai, esposo e filha encontram-se entre nos em seus níveis espirituais.

Humberto e Alice viveram doze anos juntos em harmonia, uma união que não teve tempo de atravessar crises.

Após o nascimento da quinta filha, Maria Terezinha, Alice adoeceu, doença genética, no seu caso violenta, deixou a caçula com oito meses de idade.

Diante do desespero da família, a irmã Nem, casada com o professor Rômulo Gonçalves, já afeiçoada à sobrinha desde a doença da mãe, não hesitou, embalou-a em seus braços e levou-a consigo.

Naquele momento diante do sofrimento do irmão e dos sobrinhos maiores, a caçula talvez, alheia aos acontecimentos, necessitasse apenas de aconchego; os tios ganharam, em meio a dor uma filha, cientes de que, no substrato, no âmago daquela bebê não haveria como substituir o amor de sua mãe.

O que se segue são expressões de Humberto Crispim: quando se vive na alegria a existência é única, belo campo ensolarado. Mordido pelo sofrimento contamos os dias por semanas, as semanas por meses. E, volver ao passado por trilhas dolorosas sentimos na boca o sal das lágrimas.

De fato Cel. Crispim, no transcorrer dos anos o ser experimenta o ter na boca o sal das lágrimas, amargo, indigerível. Em certos momentos esse sal corrói e dilacera a alma e o corpo; a ausência de Alice o sufocou, roubou-lhe o planejamento de vida, mais tarde, as mesmas lágrimas com gosto de sal invadem, novamente, o seu ser, Maguinha, a filha mais velha, ainda jovem, deixa a vida terrena.

A morte de Alice resultou em nascer lhe a vontade, a convicção de dedicar-se aos filhos, esforçando-se por aproximar-se do amor de mãe – compreensivo, carinhoso – e ao mesmo tempo manter o amor paterno de sempre – enérgico e exigente.

Até então, norteara-se pelo dever militar, agora, somaria ao seu dia a dia a completa responsabilidade de educar os filhos, ajustando-os a vida e a uma futura profissão. Decidiu não se casar novamente.

Antes da doença de Alice (1960) animava-o os preparativos e estudos à seleção para cursar a Escola do Estado Maior do Exército, curso importantíssimo para a carreira militar, pelo trágico que se seguiu, abandonou, mais uma vez, o seu projeto de vida.

Procurou ler livros que orientassem criar e educar os filhos, mas todos nós sabemos que não há receitas para este mister. O transcorrer da criação dos filhos, para todas as famílias, é uma caixinha de surpresas.

Não obstante, Humberto Crispim criou os filhos com sabedoria, energia e carinho em suas diferentes fases de vida, cada um com suas inerências, aptidões, ideais sem descartar os possíveis desencontros pelo modo de ser de cada um; sem se esquecer que não é fácil enfrentar cinco adolescências. Igual ao pai Antônio, fez-se vitorioso em seu ideal de oferecer aos filhos o melhor.

A vitória do Movimento de Trinta marcou uma nova era para o Brasil, quer social, quer econômica e com seus erros e acertos, deixaram exemplos após 1945; um dos acertos, o fluir em meio ao povo o anseio por governos mais democráticos, menos autoritários, embora se saiba que no Brasil regimes autoritários revezam-se com governos liberais e democráticos, e assim sucessivamente.

Em Goiás, não fora a construção da nova capital, cuja discussão gerou crises e mais crises, os efeitos do Movimento de Trinta, acredito eu, seriam inexpressivos. Assim também pensava Luís Palacin. Mas a vontade do Interventor e de seus auxiliares, dificuldades de governar em uma capital simpática aos antigos governantes, motivaram ainda mais, os novos donos do poder político a partir para a construção da nova capital, sem mesmo saberem, ao certo, o que lhes aguardavam, o porvir.

O encaminhamento da política nacional deu suporte político e psicológico à vontade do Interventor e de seus auxiliares, e em meio a operários de Goiás ou vindos de outros estados, motivados por maior valorização de seus trabalhos, deram início a construção daquela que seria a nova capital do Estado.

A área demarcada cedeu lugar aos arruamentos, à força motriz dos bois e seus carros, foices, machados, enxadões, um burburinho, alicerces sulcando a terra, paredes subindo, rolos de cimentos fixando piches nas ruas poeirentas, sem faltar os galpões de comidas coletivas.

No afã de construir uma cidade o mundo das letras até o ano de 1939 não encontrara ressonância.

A então inexpressiva imprensa goiana ao receber o livro Vovó e o Sabiá, de autoria do goiano João Accioli, publicado em São Paulo, que merecera da intelectualidade paulista críticas expressivas. O Popular, em 16 de fevereiro de 1939 ressaltou entusiasmado que São Paulo […] fez justiça à obra de Accioli […] E neste mesmo momento, lembrou a ausência de publicações de autores goianos.

Um de seus proprietários, o engenheiro Joaquim Câmara, com o otimismo que lhe era próprio, considerou a necessidade de se criar em Goiânia uma Instituição que estimulasse as letras, porque em meio ao progresso que se avizinhava a literatura haveria que se fazer presente.

Em 2 de abril, o mesmo jornal anunciava cogita-se em Goiânia da criação de uma Academia de Letras.

Intelectuais passaram a se encontrar ocasionalmente, o que não era difícil na nascente capital e decidiram reunir-se para discutir as normas e os caminhos a seguir para a criação de uma Academia de Letras em Goiânia.

O grupo compunha-se de sete escritores. Seguem por ordem alfabética, e não como se encontram nas páginas amarelecidas pelo tempo em o O Popular, o nome desses intelectuais […] que serão fundadores e os quais competirão – estudar os planos, elaborar o projeto, o estatuto, marcar o dia da fundação e a 1ª Assembleia Geral, após a escolha dos 21 membros inclusive os sete fundadores […] incluindo a eles a responsabilidade da escolha dos patronos.

Colemar Natal e Silva

Dario Cardoso

Guilherme Xavier de Almeida

Luis do Couto

Mario Caiado

Vasco dos reis Gonçalves

Vitor Coelho de Almeida

Não sei dizer, se o número sete intencionava lembrar os Sete Sábios Chineses, os fundadores da primeira Academia de Letras da antiga China, alcunhados pela sociedade os sete preguiçosos porque de conversas, discussões filosóficas e literatura só cuidavam.

Certo é, os nossos intelectuais decidiram reunir-se quantas vezes necessário fosse para normatizar e criar a Academia Goiana de Letras.

Sem local para as reuniões, o integrante do grupo, Colemar Natal e Silva, então Procurador Geral do Estado, ofereceu, com gentileza e fidalguia que lhes eram próprias, um das salas onde funcionava a Procuradoria do Estado. Os participantes designaram-no presidente daquelas sessões.

O grupo tinha pressa. Reuniu-se cinco vezes; a primeira decisão fora antes comunicar à Academia Brasileira de Letras aquele ideal, que segundo a documentação, a resposta de seu Presidente chegou com estímulos à causa.

Das discussões, decisões, distribuição de tarefas ocorridas entre os sete fundadores a imprensa de O Popular recebia todas informações e as transmitia à sociedade.

No contexto de uma conjuntura tumultuada, em níveis internacional, nacional e o nosso Estado envolvido em um empreendimento que só Deus sabia o capítulo final, nasceu a Academia Goiana de Letras, expressava abrir um Fiat na literatura goiana, que com o tempo talvez conduziria seus raios aos céus de nosso sertão.

Dos acontecimentos culturais relevantes, ocorridos até então em Goiás, a criação da Academia Goiana de Letras expressou o mais relevante deles; nos anos sessenta fizeram-lhe frente às estruturações das duas primeiras Universidades do Estado de Goiás.

A escolha dos patronos, que representariam as 21 cadeiras que comporiam a Academia que se estruturava, bem como seus ocupantes foram responsabilidades dos sete fundadores. Antes determinou-se que a cada um deles pertenceria uma cadeira.

Constituído o quadro – patronos e os primeiros ocupantes das cadeiras de nº 1 a 21, processou-se a eleição de sua diretoria.

A escolha dos acadêmicos não deixou de ser político, o que não causa espécie, o Brasil vivia o domínio político da Constituição Polaca, elaborada por Francisco Campos.

Os sete fundadores elegeram o Interventor Federal Pedro Ludovico Teixeira, não só membro da Academia Goiana de Letras, como o elegeram o seu primeiro Presidente. Pedro declinou das honras por não se julgar intelectual. O primeiro Vice-Presidente eleito, Colemar Natal e Silva, assumiu a Presidência da Casa. Segundo pessoas que vivenciaram os tempos da mudança, Pedro e Colemar, eram os homens fortes da política em Goiás.

Até o final do Estado Novo, Pedro Ludovico e Colemar foram sucessivamente reeleitos, Colemar Natal e Silva exercendo a Presidência da Casa.

Um fato chamou minha atenção, neste período em que dois homens fortes encontravam-se na Presidência e Vice-Presidência da Casa, e toda a área piloto da cidade emergente encontrava-se nas mãos da administração do Estado, o Presidente em exercício não solicitou para a Academia, não digo uma área, mas pelo menos um lote.  E por que Pedro não se interessou em doar à Academia um lote?

Lamentavelmente esse desinteresse, desprovido de bem material, viveu franciscanamente, quase inexistente, sem condições de realizar até mesmo suas reuniões mensais, mesmo assim a Academia Goiana de Letras agonizou, mas não foi a óbito

Ursulino Leão, esteve no exercício da Presidência da Academia Goiana de Letras, por 16 anos (1969-1985) entrevistado pelo jornalista Modesto Gomes, afirmou – ser esta Casa […] paupérrima de bens materiais, mas poderosa em recursos humanos […] é um centro de erradicação e integração cultural. Foi nesta longa gestão que a Academia afirmou-se. A sociedade goiana respeitava e admirava esta Instituição Cultural, e seus membros, os intelectuais não pertencentes à Confraria acompanhavam seus esforços de sobrevida e sempre atentos às novas publicações.

Goiânia, fevereiro de 1972. Humberto Crispim Borges, então autor de dois livros Chico Melancolia e Cacho de Tucum vem à presença da administração da Academia Goiana de Letras solicitar sua inscrição à vaga da Cadeira 3, com o falecimento do Acadêmico Alfredo de Faria Castro. Exibia bagagem literária respeitável.

A intelectualidade goiana bem acolhera seus trabalhos.

O escritor goiano José J. Veiga, nacionalmente consagrado já se expressara sobre Chico Melancolia […] obrigado pelo seu livro […] estou acabando de ler. Gostei principalmente da linguagem […] viva, rica, sem preconceitos, desliza de formalismo, linguagem difícil de se encontrar […] justamente por ser a linguagem de toda boa literatura.

A comissão examinadora dos títulos dos candidatos à vaga, sempre meticulosa em trabalhos desta natureza, registrou:

Humberto Crispim é escritor, amante dos contrastes sem violência, dramatiza o simples e não se perde no complexo. É artista da pena que sabe aproveitar o palco onde se encontram os espectadores das cenas esmeradamente ensaiadas. Tem bossa. E o credencia à inscrição pleiteada.

Mais tarde, ao concorrer a um concurso para a publicações de livros, recebeu da comissão parecer conclusivo […] ser o candidato detentor […] de linguagem atraente […] como atraentes […] episódios e exposições dos fatos […] vivacidade e elegância dão colorido às reminiscências. Saiu-se vencedor.

Goiânia, 18 de agosto de 1972. Nesse dia, em sessão solene, o pórtico da Academia Goiana de Letras abriu-se para receber Humberto Crispim Borges militar, intelectual que, havia tempo, dera início à floração beletrista, assentar-se-ia, merecidamente, à Cadeira 3, que trazia em si uma história rica por aqueles, que antes nela assentaram-se e ainda, pelo valor inconteste de seu patrono, brilhantemente referenciado em seu discurso de posse. Da farda ao Fardão da Academia.

Altamiro de Moura Pacheco ao saudá-lo na Academia Goiana de Letras expressou-se: […] percorrendo vossa fé de oficio, encontrei nada menos de sessenta e três elogios individuais e seis coletivos. E citou vários deles, escolhi o do general Antônio Bandeira, em 19 de janeiro de 1972. Deixa a chefia da 7ª Circunscrição do Serviço Militar o Ten-Cel Humberto Crispim Borges […]  Durante sua estada a frente desta CSM imprimiu a mesma o cunho de sua personalidade, trabalhando com dedicação e competência, a par de honestidade a toda prova […] chefe competente, dedicado, leal e justo. Ao agradecer a brilhante cooperação emprestada ao Comando Militar do Planalto e 11ª Região Militar desejo externar-lhe a convicção de que agora, na Subchefia da 7ª CSM, saberá dar continuidade da mesma, assessorando o novo chefe com toda dedicação e lealdade […]

Entre as condecorações […] recebestes de medalha com passadeira de prata, medalha Marechal Hermes e medalha Caetano de Faria.

Acadêmico e amigo de longos anos, Cel. Crispim, (assim eu me dirigia a ele), ontem a Academia Goiana de Letras pranteou o seu antecessor. Alfredo Faria Castro, de saudosa memória para aqueles que o conheceram e tiveram a excelência de seus ensinamentos, no velho Liceu de Goiás, ainda uma referencia de qualidade no ensino.

Nesse momento quero resgatar um pouco da vida desses memoráveis homens que construíram, cada um a seu modo, os primórdios do intelecto de nossa terra em sentido lato e a sua intelectualidade – literária, política e histórica.

Luis Gonzaga de Camargo Fleury encontrava-se entre os 21 agraciados pelos sete fundadores da nova instituição para serem os patronos da nascente Academia. Vitor Coelho de Almeida, escolhido pelo mesmo grupo para integrar-se a uma de suas Cadeiras,escolheu para seu patrono, Luiz Gonzaga de Camargo Fleury, por conhecer sua história de vida, seu valor histórico, político e intelectual.

Este patrono depois de estudar em Santa Cruz, mudou-se para São Paulo, onde cursou filosofia e as ordens sacras. Sant Hilaire o encontrou em Goiás, e entre outros atributos o vê empolgado pelos anseios da liberdade que sacudiam o Brasil.

No meu entendimento, o patrono da Cadeira 3 mais político e menos padre, Viveu intensamente os primeiros momentos da implantação do Império do Brasil; em 1824 elegeu-se para o Conselho Provincial, na gestão do Caetano Lopes.

Em 5 de março de 1830, como redator-chefe, lançava em Meia-Ponte o jornal de Joaquim Alves de Oliveira, Matutina Meiapotense. Criou e instalou, em 1832, secundado pelo mencionado comendador, a Sociedade Defensora da Liberdade e Independência Nacional, destinada a dar proteção a todos os habitantes da Província, quer natos, quer adotivos, oferecendo-lhes, em seu arraial, além de clima salubre, cômodos meios de subsistência, cordial hospitalidade. Foi vereador, professor, juiz municipal, inspetor da tesouraria de Goiás e comendador da Ordem de Cristo.

Viveu intensamente a implantação do Império do Brasil e em especial o Período Regencial; integrante da Junta Governativa em Goiás que depôs o presidente Sampaio. Mesclou sua vida com as incumbências religiosas, com a política e reservou para si o que bem entendia a sua vida privada.

O Norte de Goiás, por influencias de portugueses, manifestou-se preferir ficar ligado à Metrópole. O Padre Fleury, com uma flotilha de 4 embarcações desceu o Tocantins para impedir a entrada de grupos rebeldes pelo Maranhão; suas ações fizeram dele O Pacificador do Norte.

Nomeado pela Regência, Presidente da Província, realizou grandes feitos.

O segundo ocupante da cadeira 3, Vitor Coelho de Almeida nasceu em berço intelectual, no Rio de Janeiro – mãe inteligente e preparada, dedicava-se a educação dos filhos, aos quatro anos Vitor sabia ler, iniciou o primário no Rio e o terminou em Paris. Por influencia da avó, continuaria os estudos na Inglaterra e seguiria para as missões na África; circunstâncias familiares obrigaram-no a retornar ao Brasil com 12 anos, justamente quando se viviam as primeiras crises do novo regime republicano. No Brasil recebeu influências dos dominicanos que aconselharam-no continuar o curso secundário no Seminário da então capital – Goyaz.

Terminou seus estudos religiosos em Roma e tornou-se padre, mas insatisfeito deixou a batina casando-se. Jornalista, poeta, político, professor. Publicou ainda fora de Goiás vários livros religiosos. O livro Goyaz traz excelente conteúdo sobre nossa terra, é obrigatório para os estudiosos da história, antropologia e geografia de Goiás.

Foi um apaixonado pela flora, fauna, riquezas naturais de Goiás e pela hospitalidade e desprendimento do homem do nosso sertão. São suas essas observações:

Em Goiás […] quem quiser percorrer o Estado inteiro  […] levando consigo grande quantias, ou o que bem entender, pode faze-lo […] sem receio de ser roubado nos pousos ou assaltado pela estrada

É a […] melhor prova de superioridade de caráter e nobreza da alma goiana.

Rico, pobre ou miserável, o lar goiano; no sertão não nega abrigo […] sem nada receber.

Vitor Maria Coelho de Almeida sobrepõe […] enquanto não se introduzirem elementos estranhos  […] na terra.

O seu sucessor Alfredo de Castro nasceu nos últimos anos do séc. XIX, em Araguari. Poetou:

Tempos venturosos de crianças despreocupadas […] na minha querida terra, no meu querido berço natal.

Tudo isso se dilui nas brumas do passado distante e feliz; a velha matriz, o velho relógio a marcar infatigavelmente as horas […]

Com os olhos da alma contemplo ao entardecer o voo das andorinhas no largo do Rosário, o antigo cruzeiro […]

Ouço ainda o velho sino que tange, vibrando na transparência de cristal, ao sol escaldante do meio-dia […]

No lento transcurso das horas […] dos meses, dos anos, quantas mágoas se aninham no santuário de nossas recordações, de par com a alegria que ali fizeram sua morada.

Também professor dedicado, jornalista, tribuno, poliglota. Cursou o ginásio diocesano de Uberaba.

Aos 18 anos, mudou-se com os pais para Goiandira, provavelmente pelos trabalhos da construção da estrada de ferro.

Chamado para cumprir os serviços militares, os cumpriu na Vila Militar, DF, sobressaiu-se pela disciplina e estudos, no final foi promovido a cabo.

Mercê da Caderneta de Reservista, em 1919 ao ser interrogado qual seu oficio civil, respondeu – tradutor, licenciado em março de 1919.

Em 1923 encontrava-se na capital do Estado matriculado na Faculdade de Direito e professor concursado de francês.

Na pacata Goyaz encontrou tempo e estímulo para estudar, formou-se para professor primário, antigo Curso Normal e formou-se em Contabilidade.

Acompanhou passo a passo o processo da mudança da capital. Viu Goiânia nascer e crescer. Fazia questão de dizer que participara da solenidade – lançamento da pedra fundamental.

Cultor da História do Brasil tinha conhecimento que José Bonifácio apresentara à Assembleia Constituinte o que se segue:

Parece muito útil até necessário que se edifique uma nova capital do Império para assento da Corte, da Assembleia Legislativa e dos Tribunais Superiores, que a Constituição determinar. Esta Capital poderá chamar-se Petrópole ou Brasília.

No momento de se escolher o nome da capital que nascia em Goiás, abriu-se um concurso para sua escolha.

O vencedor foi Petronia, mas o Prof. Alfredo, transpôs para Goiás a ideia de José Bonifácio e apresentou o nome Goiânia. Bem mais tarde, Pedro Ludovico declarou à imprensa que dispensara o nome vencedor Petronia e declarou Goiânia ser o nome vencedor do concurso.

Toda sua vida pautou-se por estudos, ensino e ações culturais. Só para exemplificar encontra-se entre os fundadores do Instituto histórico e Geográfico de Goiás.

Muito ainda se poderia rememorar a vida deste acadêmico o seu antecessor, mas paro por aqui, mas antes quero confessar-lhe, Cel. Crispim, o seu discurso de posse foi a minha melhor fonte de pesquisa sobre os feitos, ações e personalidade de Alfredo de Faria Castro.

Quero falar-lhe agora de sua generosidade, de sua nobreza e o silêncio sobre seus feitos.

No dia em que sua alma não se encontrava mais entre nós, o seu filho Marcelo, ouviu de seu primo Sérgio filho de seu irmão Galeno o seguinte:

Quando meu pai morreu, minha mãe e nós, os filhos, estávamos preocupados com os encargos e responsabilidades do dia a dia. Sem meios pecuniários para despesas até mesmo da casa.

Ainda nos primeiros dias, após a morte de meu pai, uma Companhia de Seguros telefonou para minha mãe dizendo que o dinheiro do seguro de vida de seu esposo encontrava-se à sua disposição. Ora, deveria haver um engano, mas por insistência dos filhos, fomos à Seguradora – havia um bom dinheiro com o qual a família se manteve alguns anos, até que nós encontrássemos os caminhos de nossas vidas.

O responsável por aquele Seguro fora o Humberto Crispim, que conhecendo o temperamento do irmão, sem que ninguém soubesse pagara-lhe aquele bendito seguro.

Segundo Marcelo nem ele e nenhum de seus irmãos conheciam esta ação do pai, sempre amigo e sempre generoso.

Dois livros acompanharam o seu curriculum vitae, (um deles já premiado) de nosso homenageado ao inscrever-se a Cadeira nº 3 desta Academia. Ao encerrar a sua vida intelectual seu legado literário atingiu o número expressivo de 24 obras. São contos, romances e livros históricos, estes realizados sobre documentos, entrevistas que os tornaram obrigatórios nas bibliotecas dos pesquisadores goianos. Com essa produtividade literária encontra-se os mais produtivos Acadêmico, se não o maior.

Vários deles premiados: Chico Melancolia o primeiro Prêmio da Bolsa Hugo de Carvalho Ramos (1967), novamente premiado com outro livro de contos Cachos de Tucum (1970). Suas obras respiram Goiás, […] e em especial o sabor da linguagem flagrante, rica, precisa. Excelentes são os contos de casernas, para alguns de seus leitores, os melhores. Outro escritor Gervasio Leite em Cacho de Tucum viu três momentos em que Humberto Crispim atinge a grandeza antológica. São eles: MAMÃE DEIXA, HEM!; O LAVRADOR E O DEFUNTO; O SOLDADO DO DÉCIMO. São contos, partem de realidades registram costumes, usos e entrelaçam-se no imaginário do autor.

Acadêmico e amigo Humberto Crispim Borges esta chegando ao fim nosso encontro, outros, acredito que virão, ao ler obras suas ainda não lidas, como o Brinco da Princesa, ou nos livros históricos na busca de informações.

Quero, ainda, dizer-lhe, as suas ações e reações que familiares, profissionais, acadêmicas e sociais ao longo de sua caminhada não precisam de adjetivos, falam por si, fluem de seu modo de ser probo, tranquilo, honesto, responsável, disciplinado e sensível que soube vencer as dificuldades que lhe foram impostas no transcorrer de sua vida.

Seus filhos Antônio, Marcelo, Silvana e Maria Terezinha com seus respectivos esposas e esposos Bernadete, Marize, Luiz Eduardo e Frederico Eduardo participam desta solenidade mesclada nos tons do amor, da saudade e do orgulho pelo exemplo de vida que lhes legou.

A Academia Goiana de Letras reconhece e agradece ao Acadêmico Humberto Crispim Borges sua contribuição intelectual e moral enriquecedora da Cadeira 3 com suas ações culturais sempre presentes como palestras proferidas, divulgando valores goianos, às vezes, esquecidos nas gavetas dos tempos e em especial, à produtividade literária e histórica.

A produtividade literária de Humberto Crispim Borges expressa-se em 24 livros; que o sinos dobrem por sua grande contribuição cultural à sociedade brasileira, em especial, à terra dos Goyazes.

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