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Ano instável, 2016

Publicado em 2 de fevereiro de 2017

O ‘movimento de junho de 2013’ evidenciou que a política brasileira perdera o rumo. A reação ensaiada não aconteceu. A eleição de 2014 tornou mais evidente o racha na política brasileira. E, o início do 2º governo da presidente Dilma Rousseff acentuou essa divisão, além de tornar visível as dificuldades de composição política, com a economia apresentando-se recessiva. O acentuado déficit público mostrou a falência de um Estado intervencionista.

O pedido de impeachment da presidente, aceito pela Câmara dos Deputados, pautou a política nacional no início de 2016. Diferentemente do processo de impedimento do presidente Collor de Melo (1992) com a opinião pública favorável ao afastamento do presidente da República, no impeachment da Dilma Rousseff a opinião pública apresentou-se dividida. Divisão que ganhou as ruas, especialmente as redes sociais, tendo a ‘cordialidade brasileira’ cedido espaço à intolerância.

Em maio, Michel Temer, vice-presidente, assume como governo provisório, enquanto o processo de afastamento da presidente tramitava no Senado da República. E, em agosto, define-se com o afastamento definitivo de Dilma Rousseff. O peemedebista Michel Temer assumiu o governo tendo como proposta de governo o documento “uma ponte para o futuro”, aprovado em convenção de seu partido, ainda em 2015. No documento, a proposta é de governo liberal, destacando um ajuste fiscal, diante de um déficit público estimado em 82 bilhões de reais. Também traz uma crítica ao sistema político brasileiro, fragmentado e com baixa confiabilidade.

A economia recessiva, herdada do governo Dilma, se manteve, com inflação e desemprego aumentando a desigualdade brasileira. No setor público, a situação não é menos dramática, os estados vivem quadro de insolvência, com atrasos no pagamento dos vencimentos e paralização de obras, alguns decretando ‘estado de calamidade’. Os reflexos da crise fiscal não ficam por aí, a penúria nos municípios se generaliza, com crescente dificuldades na prestação dos serviços básicos.

O ano chega ao seu final com um governo impopular, tentando medidas que viabilizem o futuro, mas o descrédito se mantém. Na continuidade da operação ‘lava-jato’ mais denúncias vão surgindo, envolvendo políticos e empresários, complicando governantes e parlamentares. A aposta é que deste desarranjo surjam alternativas que apontem saídas…

por Itami Campos.

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