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Como um oleiro cego

Publicado em 2 de Fevereiro de 2017

Como um oleiro cego mas vidente

de alma, vou tocando, extasiado,

teu corporal relevo, frio e ardente,

ao sabor do acidente decifrado.

Curvas e elevações vou, como um crente,

Percorrendo, sem pressa e sem enfado.

Em ti é tudo assim tão diferente

e, ao mesmo tempo, tão do meu agrado.

O teu cheiro me entra pelos olhos,

tuas cores, pressinto-as nas narinas

e meus dedos enxergam teus abrolhos…

E, tateando, eu vou, como mandares,

saboreando formas tão divinas,

como um deus, o manjar de seus manjares.

por Getúlio Targino Lima.

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