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Definição do poema

Publicado em 2 de fevereiro de 2017

 

Todo poema é tecido de pontes,

ainda que provoque rupturas;

e porque dilacera  a alma,

todo poema é de pura loucura.

E todo poema é faca,

que faz sangrar a pele do dia,

e torna a tragédia incessante

fonte ingente de alegria.

Todo poema é momento,

que se pretende eterno;

e no transitório de tudo

encontra seu fundo mistério.

Qualquer poema é tormento,

ainda que saiba a passado;

e ainda que revele o seu travo,

todo poema é suculento.

No leito claro da poesia,

um abismo estonteante

de vãos escuros, nos vigia.

Todo poema é mentira,

ainda que geste a verdade.

As mil mortes do poema

servem pra tecer o dia.

Todo poema esconde

um segredo, que se revela

no crispar de sua face.

E na sua ferocidade,

o poema verte meiguice,

porque a sua essência,

em verdade, é o enigma

de tudo o que nos assiste.

Todo poema é o seu contrário,

porque alimenta o lobisomem,

a sede do lobo solitário,

que perambula às cegas

nos desvãos da alma do homem.

E, como tudo, este poema

se consubstancia em nada,

o nada do caos primitivo,

e o tudo do grande escuro

que nos acolherá em seu colo,

como se fora da vida

o verde fruto ( ou o maduro)

e o inexorável cativo.

por Itaney F. Campos .

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