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Errologia

Publicado em 16 de Fevereiro de 2017

 

Não existe nos léxicos a palavra errologia. É mais uma das minhas invencionices. Só no Direito, cataloguei 28 modalidades de erros, entre os quais o “aberratio causae”, que se realiza quando o delinquente deseja matar a vítima por afogamento, atira-a no rio, entretanto, a morte se dá porque esta, antes de ser tragada pelas águas, bate a cabeça numa pedra, falecendo; o “aberratio ictus”, erro de execução, o cara atira contra uma pessoa, todavia, por não ter boa pontaria atinge uma outra. Há vários outros erros cometidos na vida em sociedade, como, por exemplo, o erro de imprensa, de revisão, de arredondamento, de aproximação etc. Por que motivo, então, não inventaram a palavra errologia? Deixaram que eu a inventasse. Se errar é humano, e muita gente erra, logicamente, alguém deveria escrever um “tratado sobre o erro”. Daria até para se fazer uma tese acadêmica. Os gênios, aqueles que, na história da humanidade, alcançaram o mais alto grau de capacidade mental criadora em qualquer ramo da ciência, também cometeram seus equívocos, suas asneiras. Seria um besteirol genial. Muitos deles deram sentido contrário à suas teorias dentro de um mesmo raciocínio. Poderia citar, aqui, os nomes deles, principalmente os que expressaram ideias mais erradas do que acertadas. Cometeram erros crassos Galileu Galilei, Isaac Newton, Louis Pasteur, e o consagrado físico Albert Einstein, o criador da teoria da relatividade, que atacou com uma frase de efeito seu colega Heisenberg, que defendia o “princípio da incerteza”, dizendo que “Deus não joga dados com o universo”. E joga. Galeno, médico grego, sucessor do fundador da medicina Hipócrates, achava que “as mulheres tinham um par de costelas a mais do que os homens”, equívoco baseado no livro de Gênesis, do Velho Testamento; Édouard Brown – Séquard, grande fisiologista francês (fim do Séc. XIX), dizia que o extrato de testículos de cachorro, injetado sobre a pele, rejuvenescia os velhos. Ninguém provou isso. O médico holandês Theodor Kercking, em 1671, disposto a demonstrar que o aparelho reprodutor das mulheres era semelhante ao de uma galinha, relatou ter encontrado no interior de uma mulher dissecada, vários ovos. Para provar (literalmente) que se tratava a de um órgão semelhante ao das aves, resolveu cozinhá-los e comê-los. Achou neles “um gosto extraordinário, e desagradável”. É claro, o pesquisador tinha comido os quistos ovarianos! Errou redondamente. Confundir galinha com mulher é, no mínimo, uma tese equivocada. Os leitores não acham?

por Luiz Augusto Sampaio.

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