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JOSÉ AMAURY DE MENESES: operário da arte e da cultura

Publicado em 31 de maio de 2017

 

Após entrosar-me no chamado “ambiente cultural goiano”, através da União Brasileira de Escritores (UBEGO), Academia Goiana de Letras (AGL) e Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGGO), passei a ouvir falar da exponencial figura humana e artística de José Amaury de Menezes, que ora o considero um “jubiloso operário da arte e da cultura”, com destaque nas artes plásticas, em Goiás e Brasil afora. É óbvio que surgiu em mim um incontido interesse em conhecê-lo, sua obra, seu carisma, sua admirável personalidade, brilhante biografia e o seu privilegiado talento, já revelados em várias ocasiões por sua interessante e rara humildade, nesse tempo precioso e inesquecível de sua vida nas lides artísticas e literárias.

Acredito justificar e glorificar esse rico legado, se não bastassem outros tantos méritos, a publicação dos livros: “Da caverna ao museu – dicionário das artes plásticas em Goiás”, Goiânia, Agência Goiana de Cultura, 1998; “DJ Oliveira – 50 anos de pintura”, idem, 2006; “Confesso que chorei: uma agenda de segredos e inconfidência”, Goiânia, Editora Kelps, 2012 e “DJ Oliveira: operário da arte”, também selo da Kelps, 2016.

Talvez os embaraços por alojar-me na distante cidade de Mineiros, extremo Sudoeste de Goiás, assim como o Estado, a terra alta das semelhanças étnicas, onde ninguém, pouco importando a origem, se salva da mesma procedência, justifiquem os porquês de ter me demorado tanto a aproximar-me do consagrado Amaury de Meneses. Ou quem sabe, o fato de vir de uma casa de pau-a-pique, no mais pleno sertão baiano, tornando-me um sertanejo desconfiado, matuto, cismado, inocente-me dessa demora toda na minha necessária aproximação do insigne Amaury Menezes.

Não sei quantos vezes ouvir falar, positivamente, dele e sobre ele, homem incomum, mais conhecido por Amaury de Menezes. Quantas vezes sei que conseguiu o merecido estrelato da condecorado. Outras tantas, recebendo os mais justos troféus e as mais dignas premiações, nos mais honrosos centros culturais do Estado.

Ao Assumir a Cadeira 18, do IHGGO, tendo como patrono o ilustre intelectual e político José Vieira Couto de Magalhães e sócia emérita da Casa Mari de Nasaré Baiocchi, percebi que a geografia física levou-me para mais perto de Amaury de Menezes. Mesmo assim, certamente por ainda “encalhado” na minha crônica matutice, prossegui relutando nessa minha imprescindível aproximação.  O medo era tanto, que a nossa “vizinhança” no Instituto, por certo espaço de tempo, não passava dos cumprimentos formais, do “bom dia”, “boa noite” ou  “até logo”;  não obstante, desejasse mesmo era estar pertinho dele, abeberar-me de sua vasta experiência, pois já estava percebendo  ser um homem muito  mais amigo da sabedoria do que somente um desses sábios, muito frequentes, dirigindo instituições, inclusive academias de letras, com as devidas exceções, é claro, fazendo-me recordar os muitos  notáveis da velha república das brunzundangas, descrita por Lima Barreto. O certo, possíveis leitores, é que o procurei, querendo nutrir-me de sua fecunda história de vida e do seu bom exemplo de homem cuja vida, num período superior a 90 anos, foi toda devotada ao sagrado ofício de artista plástico consagrado, refinado, observador, digno, portanto, do mais justo respeito e consideração.

Foi assim que, após breve telefonema, consegui abeirar-me do querido José Amaury de Menezes, manifestar-lhe o meu antigo desejo de obter de sua rica inspiração artística, para não dizer poética, a minha imagem, o tal “bico-de-pena” do meu corpo enviesado, torto, sempre avesso aos modismos ou fora de moda, embora dos mais simpáticos, forjado pelas canículas dos sertões, tornando-me um sertanejo incurável, a ilustrar um livro, no forno, intitulado “Mineiros: A Cidade Na história”. Mais o cabelo, também esquisito, decerto a minha marca mais forte. A cara, imaginem! Aflita, agoniada, autóctone de Poça da Pedra, município de Casa Nova, Bahia, onde já nasci teimoso e inconformado.

No  encontro tão desejado, no belo atelier de Amaury, em 24 de março do ano em curso, à Rua 6, esquina com República do Líbano, nº 370, Sala 209, Setor Oeste, Goiânia, ainda ocorreram alguns assuntos merecendo registro: a tirada de  duas fotos cá do escriba, mostrando que o artista Amaury é também um exímio fotografo; a doação de dois livros que lhe fiz: Racismo à Brasileira, raízes históricas, em 4ª edição (2009) e Teatro Experimental do Negro em Goiás (2017). O diálogo, de minha iniciativa, querendo pagar  honorários ao artista pelo serviço do meu “retrato”, foi o meu momento mais comovente, pois Amaury, além de desaceitar receber,  disse com voz telúrica de luzianense de Santa Luzia, ser um prazer ilustrar o meu livro com sua arte, evidenciando assim o meu orgulho e até a minha glória; notando-se que nunca tinha visto o meu retrato tão bem feito, tão adulado e  elogiado. Enfim, a valiosa dádiva de dois livros que me fez: “DJ Oliveira: operário da arte” (2016) e “Confesso que Chorei: uma agenda de segredos e inconfidências” (2012), com autógrafo, merecedor de transcrição:

“Para o amigo e confrade Martiniano, um pouco das minhas lágrimas. Amaury Menezes. GO. 11/03/17”.

por Martiniano Silva.

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