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LORCA

Publicado em 4 de setembro de 2018

Federico

Caminhou

Pelo mundo

Feito um sol

Ele pedia que os grilos fizessem

Bosques sonoros de amor

Que as formigas estrelas do chão

Olhassem sempre pro céu

Ele pedia às cigarras pra não

Desencantarem o som

Que os rouxinóis imitassem a voz

De um poeta mais triste que Deus

Iras, doçuras, tristezas sem fim

Até Sevilha em Granada morreu

No talismã transparente do olhar

O coração desandou

A cantar, a brilhar…

Luzes quebrando os vitrais

Onde o sol não tem pressa.

Federico

Navegou

Pelo mundo

Feito um mar

Ele ensinava os caminhos das mãos

Aos barcos soltos sem cais

Fontes com sede de lábios de mel

Dão de beber ao calor

Ele queria viver pra encantar

O desencanto de amar

Talvez pedisse aos piratas do amor

Pra naufragar a carência da paz

Balas, fuzis, assassinos demais

Até Sevilha em Granada chorou

E o poeta passava por nós

Por entre sinos e reis

A tocar corações

Um anjo negro a dormir

Onde o sol não desperta.

 

Federico

Navegou

Pelo mundo

Feito um sol…

por Nasr Chaul.

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