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Mulheres de versos

Publicado em 12 de junho de 2017

Uma festa de prazer e justiça – a sessão da Academia Goiana de Letras em homenagem ao poeta e crítico literário Gilberto Mendonça Teles, filho de Bela Vista de Goiás (sim, não é só Geraldinho, o contador de causo, que abrilhanta a pequenina urbe nas cercanias de Goiânia), estudante e mestre em Goiás e referência de destaque internacional, com moradia no Rio de Janeiro, a eterna Belacap.

O mais destacado dentre os intelectuais goianos vivos está no Rio de Janeiro há mais de 40 anos, expulso deste Planalto Central por força das perseguições do sistema de repressão da ditadura, acionado – sem dúvida – por falsos amigos, colegas invejosos.

O mal que lhe quiseram fazer transmudou-se em benefícios imensuráveis. E aquele moço que, em 1961, empossou-se imortal na árcade goiana, é hoje o nosso decano. Para homenageá-lo, reunimo-nos (seus confrades e amigos), com uma expressiva participação de amigos literatos e mestres das letras.

Gostei particularmente da manifestação da poetisa Beth Abreu, editora, há alguns anos, da Oficina Literária que se dá todos os domingos, com poemas e ilustrações por notáveis artistas. Membro da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás (Aflag), Beth Abreu lembrou que GMT é, também, por escolha daquela confraria feminina, o Príncipe dos Poetas goianos – e, nesse momento, a presidente Leda Selma, da Academia Goiana Letras, reagiu com inefável felicidade:

– E as princesas?

Isso disparou na minha pobre imaginação uma fila bela e expressiva, puxada pela primeiríssima poetisa goiana, a caldas-novense Leodegária de Jesus, pouco lembrada por tantos do meio das letras e ignorada pela mídia, bem como pelas escolas.

Findo o ato solene, puxei de lado a querida confreira Beth Abreu e lhe sugeri, com um monte de palpites mais, que se institua uma premiação às poetisas goianas com o nome da autora de Coroa de Lírios (1906) e Orquídeas (1928). Afinal, esses dois livros da lavra de Leodegária são os primeiros na hoje imensa lista da produção poética das mulheres goianas. A ela seguiram-se Regina Lacerda (1954) e Yeda Schmaltz (1964) – e as demais seguiram-lhes as pegadas.

Disse-lhe mais – que leve meus pitacos, aprimorados pela sua cuidadosa capacidade criadora, às confreiras aflagueanas. Antevejo os louros legítimos às poetisas de ontem, mas sobretudo e especialmente, o reconhecimento temporal às mulheres (não são poucas, não!) que enfeitam nossas vidas com seus versos.

Grande será, obviamente, a alegria das poetisas conterrâneas, as de nascimento e as adventícias. E são senhoras da minha geração, mescladas às moças de ontem e anteontem, bem como as meninas que despontam com seus conceitos atuais da poesia – a gente as vê nas escolas, nas livrarias, nas bibliotecas… E muitas são as mulheres já portadoras das cãs do tempo (quase sempre cobertas com as tinturas que também lhes dão encantos) que se demoraram a revelar-se autoras, além de musas.

Que a presidente Alba Dayrell, da Aflag, acolha esta minha humilde ideia, que ganhará o primor dos tratos de Beth Abreu, e que também a nossa AGL, capitaneada pela também poetisa Leda Selma, irmane-se às autoras membros da Casa de Rosarita, Nelly e Ana Braga para, então, promovermos algum certame ou evento sob a tutela imortal de Leodegária de Jesus e possamos, a cada ano ou biênio, sei lá, eleger as princesas dos versos nesta terra dos goiases!

por Luiz de Aquino.

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