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NOS ÚLTIMOS VINTE ANOS

Publicado em 10 de agosto de 2018

Nos últimos vinte anos, muitas coisas
tiveram seu princípio —
Uma lagarta
começou a comer o talo verde
de uma folha esculpida na parede
do edifício mais próximo.
Uma aranha
teceu e desteceu a sua renda
à espera da odisséia de um inseto
curioso.
Um beija-flor impaciente
começou a amolar o longo bico
no metal do verão.
Recém-nascido,
um menino berrava o seu natal
mijando indiferente.

Entre greves, censura e terrorismo,
um relâmpago veio da internet,
riscou no movimento o próprio site
e se perdeu na pós-modernidade
do milênio.
Enquanto isso, o amor abria
seus e-mails (sem vírus), a sua flor
de signos, suas formas, a sua arte
de escandir as vogais, tanger os ictos,
dizer o beabá e, por um triz,
não revelar na consoante o nome
que floresce por dentro, no mais íntimo,
no mais fundo desejo de poesia.

por Gilberto Mendonça Teles.

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