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O FRANCÊS

Publicado em 25 de outubro de 2018
A cena se passa em um pequeno restaurante de um pequeno hotel de uma pequena cidade desse interiorzão de Goiás.
Um francês, ali hospedado, toma lugar à mesa de refeições e, dirigindo-se ao garçom, fala em sua língua materna, já que, na nossa, não sabia se expressar:
— Je veux quelque tipique?
O garçom, sem nada entender e meio confuso, volta-se para dentro do estabelecimento e diz ao patrão:
— Patrão, tem lá um homem que fala enrolado e que me mandou picar. E eu me piquei.
O patrão, homem de meia idade e já mais experimentado, perguntou:
— Como é que ele falou?
— Ele falou, te pique, e eu me piquei.
— Quem sabe ele está é querendo pequi e não sabe falar direito o nome da fruta. Vou lá ver, mas prepare aí um belo prato de arroz com pequi.
E assim, o patrão levou ao estrangeiro o prato de arroz com pequi, típica comida goiana. Colocou o prato em frente ao freguês, cruzou os braços fitando-o e disse:
— Está aí o seu pedido.
— Comment?
Respondeu o patrão:
— É de comer, sim.
— Comment s’apelle ça?
— Isso não se pela pra comer com sal, não.
—Comment.? Retrucou mais uma vez o francês.
— É, com a mão. Disse o patrão.
— Comment? Mais uma vez indagou o francês.
— É. Com a mão.
— Comment?
— Com a mão e com a boca, seu italiano burro.
Respondeu o patrão, já tendo perdido a paciência. E o francês, procurando livrar-se educadamente daquela situação, disse:
—Merci beaucoup.
E o patrão, irritado, responde-lhe:
— Enfia no seu, seu filho de uma puta.
E o francês saiu à francesa, sem nada entender e sem nada sofrer.

por Maria do Rosário Cassimiro.

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