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O POETA

Publicado em 6 de agosto de 2018

Lá vai o poeta, com sua magreza de faquir,

Rasgando o sol na avenida,

Lá vai o poeta, em seu passo ligeiro,

Carregando o peso do dia.

Lá vai o poeta,como uma formiga,

Lépido, vai gestando, na mente, uma poesia.

Conversa com o vento, com suas lembranças,

Dialoga com o invisível, vai o poeta como um louco,

Ou um anjo, com seus companheiros  etéreos.

Infatigável,

O poeta trabalha diuturnamente

Com suas metáforas, lavra suas aliterações,

Cultiva suas metonímias.

Confronta as forças do tempo,

Desafia as farsas do mundo.

E nem quando o dia se esgota

O poeta se dá qualquer trégua,

Prossegue pela noite afora

Esparramando poemas como sementes

Da erva que se entranha nas frinchas dos muros,

E cresce nos becos, nas bocas, nas ruas.

O povo aponta: lá vai o poeta doido.

Mas o vate não escuta,

Segue meio esquerdo, meio curvado

Sob a carga das horas,

Segue troncho alheio ao espanto

Que se estampa na cara das gentes.

Se entrega inteiro à ingente labuta

De recriar o mundo.

por Itaney Campos.

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