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Três agonias

Publicado em 31 de Maio de 2017

Meu corpo: três agonias.

Rosto e garras, pele que invento

sonhos e febre que se criam.

 

Meu corpo: três agonias.

Três beijos, mudez de faca,

lábios dourados que se fecham,

o tempo feito peixe a nadar

pelas paredes, ecos de gozo

e de malícia.

 

Meu corpo: sete agonias.

sete espadas se digladiam

em mim, como num convés.

Rilha de amor que se padece

e trilha, tênue paz de cada dia.

 

Que de amar se ama e se nega,

se chama, se voa sobre os mares,

infernos e céus, tudo o mais

de que se contagia.

 

São cinco, sete ou mais agonias,

que vão chegando a qualquer hora,

assolando vastidões da sesmaria.

Astúcia de guerra fria, feito grade,

açoite do vento, punhais de todos os dias.

por Miguel Jorge.

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